Cooperativa depositou R$ 1,3 milhão na conta de José Ignácio

A Coopetfes, a cooperativa de crédito capixaba, depositou pelo menos R$ 1,3 milhão na conta do governador do Espírito Santo, José Ignácio Ferreira (sem partido), para financiar, em 1998, a campanha do então candidato do PSDB ao governo. Os depósitos foram confirmados na noite de quarta-feira no depoimento do gerente da Coopetfes, Germiniano Santos, à Procuradoria-Geral da República, em Vitória.O depoimento faz parte do inquérito aberto pelo Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, para apurar acusações de crime eleitoral, corrupção e tráfico de influência envolvendo o governador e funcionários do primeiro escalão.A doação não foi declarada ao Tribunal Regional Eleitoral pelo governador no nome da cooperativa. Parte dos depósitos (R$ 500 mil) aparece na declaração do governador, mas está em nome da empresa paulista Unitec. A empresa nega a doação. Esses depósitos podem ajudar a provar um dos pontos da investigação do STJ, a de que Ferreira mantinha um "caixa dois" de campanha.A cooperativa teria feito o investimento no candidato do PSDB por dois motivos. Ela teria tido a garantia que, quando eleito, Ferreira cobriria a doação e/ou empréstimo de R$ 1,3 milhão e ainda compensaria a cooperativa de outras formas. Além disso, pode ter havido interesse pessoal de alguns funcionários de receber propinas.Alguns dos funcionários da cooperativa são investigados por enriquecimento ilícito. Os inquéritos do Ministério Público mostram que o governo estadual fez depósitos irregulares na cooperativa, como a transferência de R$ 5 milhões de recursos da Secretaria de Educação do banco estadual para a Coopetfes ou o desaparecimento de R$ 4,3 milhões de um suposto projeto ambiental depositados na mesma cooperativa. "A Coopetfes sempre esteve no meio de todo o esquema do governo estadual. Estamos entendendo melhor qual era o seu papel nesse esquema de propinas", diz o deputado Claudio Vereza (PT). O partido quer agregar a informação do depoimento ao processo de impeachment contra o governador que tramita com dificuldade na Assembléia Legislativa.Foi também pela Coopetfes que Raimundo Benedito de Souza Filho, o Bené, pagou parcelas de apartamentos de Ferreira e sua mulher, Maria Helena. Caixa de campanha do governador, Bené é amigo do diretor da cooperativa, Gabriel dos Anjos, e do cunhado do governador, Gentil Ruy, que acabou virando secretário de governo mas foi exonerado. Os três teriam articulado o acordo. Bené, Anjos e Ruy já estão presos, e Maria Helena é citada na CPI da Propina.O financiamento da campanha do governador pela Coopetfes ficou evidente quando o dono da empresa paulista Unitec negou ter feito uma doação de R$ 500 mil. Na verdade, os R$ 500 mil tinham sido transferidos para a conta de Ferreira pela cooperativa. O depoimento revelou que outros R$ 850 mil também foram doados pela cooperativa, totalizando cerca de R$ 1,3 milhão.

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