Cooperação inclui retomar Angra 3 e erguer 25 usinas

Acordo com os franceses deve afastar os potenciais competidores, entre eles Alemanha e Estados Unidos

Denise Chrispim Marin e Tânia Monteiro, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de setembro de 2009 | 00h00

Os planos do governo brasileiro de retomar as obras de Angra 3 e de construir novas usinas nucleares alimentam uma cooperação com a França que tende a afastar definitivamente outros potenciais competidores, como Estados Unidos e Alemanha. A declaração conjunta da segunda visita ao Brasil do presidente francês Nicolas Sarkozy deixou clara a opção brasileira pela França também nesse campo.

Ao mesmo tempo em que apontou o desenvolvimento pacífico da cooperação nuclear como um caminho para dinamizar a relação bilateral, o texto chamou a atenção para a necessidade de os dois países elevarem seus fluxos de comércio e investimentos. Essa pendência levará hoje a São Paulo a ministra da Economia francesa, Christine Lagarde, à frente de representantes de 16 companhias de seu país.

Na área nuclear, a declaração conjunta informa a decisão de Sarkozy e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "encorajar" duas iniciativas. A primeira é a negociação em andamento entre o grupo francês Areva e a Eletronuclear sobre a retomada das obras de Angra 3 e a cooperação para a prospecção de urânio. A segunda é a aproximação entre todas as companhias brasileiras e francesas do setor, de olho na construção das novas usinas termonucleares. Nos planos do governo,  deverão ser instaladas até 25 unidades nos próximos 24 anos.

A cooperação nas áreas nuclear, de defesa e econômica são apenas três das que foram listadas no Plano de Ação da parceria estratégica Brasil-França, adotado em dezembro de 2008, no Rio de Janeiro, durante a primeira visita oficial de Sarkozy. O plano também cobre a cooperação nos setores aeroespacial, de desenvolvimento sustentável, de educação, de imigração e segurança pública e em terceiros países, além do diálogo sobre temas políticos e de governança internacional. Nos setores técnicos, Sarkozy deixou explícita a intenção de seu governo de transferir tecnologia ao Brasil, como meio de avançar na maior parceria entre os setores produtivos dos dois países e de explorar o mercado ampliado latino-americano. "Hoje, consolidamos definitivamente a nossa parceria estratégica com a França", disse Lula, ao final do encontro com Sarkozy.

ALTA VELOCIDADE

Em cerimônia fechada, os dois presidentes assistiram à assinatura de seis novos acordos de cooperação nas áreas de defesa, segurança pública, imigração, transportes urbanos e de magistratura e ações no Haiti. No setor de transportes, Lula lembrou do objetivo de seu governo de instalar um trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro - item omitido de seu discurso escrito e que já atrai o interesse de empresas francesas.

Antes de voltar a Paris, Sarkozy presenciou o lançamento das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), uma espécie de metrô de superfície que deverá ligar o aeroporto de Brasília ao centro da cidade até 2014 . Com uma hora e meia de atraso, ele permaneceu no local apenas 10 minutos e não discursou.

COLABOROU LEONARDO GOY

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