Convocação passa e oposição promete não dar trégua a Dilma

Ministra irá ao Senado para falar sobre o PAC; manobra do governo desobrigou Dilma a esclarecer dossiê FHC

CIDA FONTES, Agencia Estado

03 de abril de 2008 | 16h36

Oposicionistas anunciam que vão questionar a ministra-chefe da Casa Civil,  Dilma Rousseff, sobre a elaboração do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quando ela comparecer à Comissão de Infra-Estrutura do Senado para falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimen (PAC). "Vou perguntar sobre os cartões e ninguém me proibirá de perguntar o que eu quiser", afirmou o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM).  Veja também: Oposição fecha o cerco e pressiona por CPI só no SenadoSem conseguir convocações, CPI termina semana que vemApenas uma convocação é aprovada na CPI dos CartõesPSDB apresenta recurso para convocar Dilma ao SenadoGoverno usa 'rolo compressor' e oposição ameaça com nova CPICPI terá dados que complicam ministros de Lula e FHCDocumento do TCU não sustenta versão sobre 'banco de dados' CPI dos cartões: quem ganha e quem perde?  Entenda a crise dos cartões corporativos  Mais cedo, a oposição partiu para cima do governo e, por meio de uma manobra, tentou convocar Dilma para depor sobre o suposto dossiê contra FHC. Mas em uma operação de emergência, o governo reverteu o quadro e fez com que o senador tucano Marconi Perillo retirasse o seu aditamento ao requerimento da convocação. A retirada desobriga Dilma de responder perguntas sobre o "banco de dados" do ex-presidente, mas não evita que a ministra passe por constrangimentos na sessão da comissão que tratará do PAC."O uso de cartões corporativos não pode ser um tabu, precisamos desmistificar isso. A ministra não pode se negar a responder às indagações", disse o líder do DEM, senador José Agripino (RN). Na sessão desta quinta-feira, a Comissão de Serviços de Infra-Estrutura aprovou um requerimento do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) convocando a ministra para falar sobre o PAC, e um aditamento do presidente da comissão, Marconi Perillo (PSDB-GO), acrescentando que ela compareceria para responder também a perguntas sobre o suposto dossiê. Mas, pouco depois, ante os protestos dos governistas, Perillo recuou e tirou o aditamento.Agora, apesar da retirada do aditamento, a oposição antecipa que comparecerá em peso para questionar a ministra sobre a montagem do suposto dossiê. Até agora, Dilma admitiu apenas que a Casa Civil montou um banco de dados com informações sobre os cartões para o caso de serem reivindicadas pela CPI ou pelo Tribunal de Contas da União (TCU).ConfrontoDesde a criação da CPI dos cartões, o PT - com a colaboração de outros partidos aliados - impede a aprovação de requerimentos de convocação de Dilma. Os petistas não escondem que seu objetivo é o de preservar a imagem da ministra e reconhecem que ela não tem experiência política para enfrentar uma CPI. Agora, a oposição pretende compensar as sucessivas derrotas na CPI, que incluem a rejeição de requerimentos de convocação de funcionários da Presidência da República que possuem cartões corporativos.Mais uma vez, o confronto entre governo e oposição dominou a sessão desta quinta da comissão. "Hoje, foi o dia da vergonha", resumiu Agripino, ao deixar a reunião. Após os depoimentos marcados para a próxima semana, a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), deve dar um prazo para o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), elaborar seu parecer. "Será o relatório da farsa", definiu Agripino, acrescentando que a "tropa de choque" do governo foi orientada a sepultar a CPI e já teria cumprido seu papel.

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