Convocação de embaixador pode abalar relação bilateral

A chamada de um embaixador de volta a seu país para consultas equivale a um tremor na escala das crises diplomáticas. O alerta diplomático é claro para as chancelarias envolvidas: o impasse atingiu uma etapa crítica e, sem os recuos esperados, comprometerá gradualmente as relações bilaterais. Mesmo que os contatos diplomáticos prossigam, nada impede que, no final das contas, um dos lados declare uma medida extrema - o fechamento da embaixada e o rompimento das relações bilaterais. A temperatura de uma controvérsia começa a escalar quando a chancelaria do país afetado convoca o embaixador estrangeiro "para explicações" - na verdade, para expressar a sua insatisfação, apresentar argumentos e passar um educado pito. Foi o que aconteceu no último dia 14, quando o embaixador brasileiro em Roma, Adhemar Bahadian, ouviu Giampiero Massolo, secretário-geral da Farnesina (o equivalente ao Itamaraty na Itália), detalhar a "perplexidade" do governo italiano com a decisão do Ministério da Justiça brasileiro de conceder o refúgio a Cesare Battisti.A crise diplomática torna-se evidente quando a chancelaria afetada chama de volta o seu embaixador "para consultas". Trata-se de uma medida que, a rigor, não cria obstáculos reais para os contatos diplomáticos. Nesse cenário, a embaixada continua funcionando, sob o comando do encarregado de negócios, o diplomata mais graduado. Mas o sinal é de claríssimo agravamento do impasse. Ontem, essa foi a atitude do governo de Sílvio Berlusconi, ao chamar de volta a Roma o seu embaixador em Brasília, Michele Valensise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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