Convite de comissão a Meirelles e Casseb desagrada governo

A decisão da Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) do Senado de convidar os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb, para falarem sobre denúncias de sonegação fiscal não agradou ao Palácio do Planalto. A posição do governo ficou clara hoje durante reunião dos ministros da Coordenação Política, Aldo Rebelo, e da Fazenda, Antonio Palocci, com o líder do governo na Câmara, professor Luizinho (PT-SP), e com o vice-líder do governo, senador Ney Suassuna (PMDB-PB), que preside também a CFC. No encontro, constatou-se que, apesar de ser contra a decisão, o governo não conseguirá mobilizar suficientemente seus aliados para brecar a oposição, evitando assim um desgaste. Nem mesmo adotou-se como estratégia a retirada do quórum. Dos 17 integrantes da CFC, 11 compareceram ontem para votar a favor do requerimento, pedindo a presença de Meirelles e Casseb. Ao longo da semana, outras comissões não conseguiram se reunir justamente por falta de quórum. Diante da presença dos senadores, Ney Suassuna não teve teve outra alternativa a não ser votar os requerimentos, o que expôs, mais uma vez, as dificuldades do governo com sua base política no Senado.No início da tarde de ontem, o ministro Aldo Rebelo fora ao Senado justamente com um discurso diferente: os presidentes do BC e do BB não compareceriam ao Congresso para satisfazer os caprichos da oposição. Mas a posição dúbia do governo ficou evidente no início da noite. O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), estava ausente e não dera nenhuma orientação no sentido de derrubar os requerimentos, mesmo porque entende que os presidentes do BC e do BB não cometeram irregularidades e, por isso, não precisam temer as audiências. Ou seja, uma posição distinta a do ministro Aldo. Meirelles e Casseb estão temerososNo entanto, na avaliação feita hoje no Palácio do Planalto, Meirelles e Casseb estão temerosos, já que não têm controle sobre os dados que a oposição tem em mãos, todos extraídos da CPI do Banestado, presidida pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), um tucano da linha de oposição radical ao governo do PT. Antero foi um dos primeiros a pedir a demissão imediata dos presidentes do BC e do BB.Depois da surpresa de ontem, evidenciando a desarticulação do governo, o Planalto pretende evitar agora que Meirelles e Casseb sejam chamados, na próxima semana, para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Se o requerimento for aprovado, a oposição poderá solicitar, inclusive, que as duas comissões se reúnam conjuntamente para ouvir as duas autoridades da área econômica, um procedimento muito adotado no Senado.

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