Roberto Jayme/Ascom/TSE
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Convidado para integrar a PGR, Ailton Benedito defende indicado, mas diz que 'ainda vai pensar'

Procurador da República afirma ter sido convidado logo após a indicação de Augusto Aras pelo presidente Jair Bolsonaro

Breno Pires, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 13h49

BRASÍLIA - Popular entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro pelo posicionamento conservador no Twitter, o procurador da República Ailton Benedito disse ter sido convidado ontem por Augusto Aras a integrar a equipe da Procuradoria-Geral República. O telefonema, segundo ele, ocorreu logo após a indicação de Aras ao comando do Ministério Público Federal (MPF) ter sido confirmada.

Em entrevista ao Estado, Benedito saiu em defesa de Aras, tachado de esquerdista por apoiadores mais radicais do presidente, e disse estar "avaliando" o convite.

O senhor aceitou trabalhar com Augusto Aras?

Estou vendo especulações na imprensa. O que eu posso dizer concretamente é que ele falou para mim ontem que eu só não estarei na gestão dele se eu não quiser. Ainda estou avaliando.

Já falaram sobre o cargo?

Não.

Como o sr. vê as críticas de apoiadores de Bolsonaro à indicação de Aras para PGR?

A mensagem é de tranquilizar.

O senhor defende a decisão do presidente de ignorar a lista tríplice? E o que acha do nome escolhido?

Eu sempre defendi a prerrogativa do presidente de fazer a escolha. Eu não tenho nenhuma indisposição relacionada ao Augusto, que eu conheço institucionalmente. Entendo que, nesse momento, é um perfil que atende às necessidades do MPF e do país. Agora cabe à sociedade, independentemente de quem for escolhido PGR, fiscalizar as atividades e suas funções. 

O senhor se sente escalado a defender Augusto Aras?

 Não, não me sinto escalado para defender A, B ou C. Venho defendendo que, qualquer candidatura (que fosse escolhida), o presidente estará exercendo prerrogativa constitucional.  

O senhor entende que tem um papel nesse momento em que a base bolsonarista questiona a indicação do presidente?

 Eu entendo. Muitas pessoas se identificam comigo. Na base de apoio do presidente é normal haver indicação, porque muitos defendem aquilo que eu defendo, mas nesse momento é hora de serenar os ânimos, ter ponderação e prudência porque o importante é o trabalho das pessoas.

Uma das críticas ao Aras é que, no histórico, ele teria ido de um extremo ao outro, da esquerda para a direita. O senhor o conhece bem? Como descreve o augusto aras que assumirá a PGR?

O que eu conheço do Augusto é institucionalmente. A relação com ele é institucional. Dentro do MPF, eu não conheço nada que o desabone funcionalmente dentro da atividade. Fora do MPF eu não conheço. O que eu posso julgar é pelos atos concretos.

Parte dos apoiadores do presidente destacam uma frase atribuída a Che Guevara citada por Augusto Aras no passado. 

Não vou entrar nessas discussões. Mas, atribuída ou não a Che Guevara, o que tenho a dizer é que esse é um personagem histórico por quem eu tenho desprezo.

O senhor conversou com o presidente ou os filhos dele sobre sucessão da PGR?

 Não. Nunca.

 O senhor já aceitou o convite do indicado à pgr?

 Eu ainda não pensei nada concretamente, vou avaliar concretamente.

A indicação do seu nome para a comissão de mortos e desaparecidos políticos foi rejeitada pelo Conselho Superior do MPF. Aras tem o direito de autorizar. O senhor desejaria voltar?

 É algo a se avaliar. vamos ver.

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