Conversas de bastidores buscam unir PSDB e PFL

Não é apenas o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), que conversa com a governadora do Maranhão e presidenciável do PFL, Roseana Sarney. A articulação entre PSDB e PFL na corrida presidencial vai muito além dos telefonemas e dos encontros entre os dois governadores. Ao mesmo tempo em que Tasso sofre reparos públicos por conta da proximidade de Roseana, tucanos ilustres e pefelistas influentes trabalham discretos, nos bastidores, para preservar os canais de diálogo e a parceria na disputa sucessória.?Temos conversas freqüentes para manter de pé as pontes que nos unem?, diz o ministro da Previdência Social, Roberto Brant (PFL), um dos pefelistas que sempre ouve e é ouvido por dirigentes do PSDB. Segundo ele, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder do governo no Congresso, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI), também têm se empenhado para não quebrar o diálogo com os tucanos.E, garante, têm encontrado eco justamente entre ex-tassistas que aderiram à candidatura presidencial do ministro da Saúde, José Serra (PSDB): o ministro da Justiça, Pimenta da Veiga, e o presidente nacional do PSDB, deputado José Aníbal (SP). O ministro acredita que a boa vontade predominante no grupo de dirigentes dos dois partidos não se resume à disposição de barrar uma aliança entre o PSDB e o PMDB na sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso.Afinal, salienta Brant, há um cenário em que PFL e PSDB poderão acabar forçados a manter suas candidaturas presidenciais, pelo bem das forças governistas, mesmo que já tenham decidido manter a aliança antes da realização do primeiro turno das eleições.Embora torça para que Serra não decole na corrida presidencial e aposte que Roseana vai se manter à frente do PSDB, mesmo no caso de a candidatura do ministro da Saúde deslanchar, o comando pefelista admite um terceiro cenário: o de Serra conseguir bater na casa dos 20% das intenções de voto nas pesquisas eleitorais. ?Se chegar lá para maio, junho, com ambos fortes - Serra com seus 20% e Roseana com 25%, terá que haver disputa?, diz Brant.Neste caso, avalia o ministro, o PFL nem teria como pedir a Serra que abrisse mão de sua candidatura em favor de Roseana porque não seria conveniente ao PSDB nem ao PFL. ?Não poderíamos arriscar porque não seria possível prever para onde iriam os votos de Serra?, explica o ministro, antecipando seu temor de que os eleitores do tucano acabassem fortalecendo outro candidato.O risco de uma operação renúncia neste quadro seria o de a desistência de qualquer dos dois, Serra ou Roseana, acabar gerando votos extras ao candidato do PSB a presidente e governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Com o PT de Luiz Inácio Lula da Silva forte na disputa, a renúncia poderia tirar o governo da disputa, levando Garotinho e Lula ao segundo turno. ?Na disputa presidencial não se transferem votos?, argumenta Brant, ao destacar que Roseana tem a preferência de cerca de 25% do eleitorado apesar do PFL.A direção do PFL sabe que, hoje, o partido mais atrapalha do que ajuda a melhorar o desempenho de sua pré-candidata na corrida eleitoral. Considera porém, que não é o único partido a padecer junto à opinião pública. ?O Lula também chega a 28% nas pesquisas, apesar de o PT não ter nem 15% da preferência do eleitor?, afirma Brant.

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