Conveniência regional já cria ‘chapas híbridas’ para as eleições de outubro

Políticos planejam dobradinhas inusitadas, com voto em um candidato à Presidência de determinado campo político e em um candidato a governador de outro campo diferente; em disputas passadas,‘Lulécio’ e ‘Dilmasia’ fizeram sucesso

Eduardo Bresciani e João Domingos, O Estado de São Paulo

28 Dezembro 2013 | 12h07

BRASÍLIA - Enquanto os candidatos à Presidência da República se esforçam para construir palanques sólidos nos Estados, aliados regionais já começam a desenhar chapas informais que preveem "traições" na hora de pedir voto. São dobradinhas inusitadas que unem um nome ao Planalto de determinado campo político a um nome ao governo estadual de outro completamente diferente.

Políticos da base da presidente Dilma Rousseff, por exemplo, alimentam composições nos Estados com candidatos ligados formalmente a Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Aliados dos dois também planejam "chapas híbridas".

Tais alianças já são uma constante nas sucessões presidenciais e estaduais brasileiras. Elas ganharam destaque principalmente em Minas, onde se formou em 2002 coligação informal batizada de "Lulécio", com o voto no petista Luiz Inácio Lula da Silva para presidente e no tucano Aécio Neves para o governo, e "Dilmasia", com voto em Dilma para presidente e Antônio Anastasia (PSDB) para o comando do Estado.

Para 2014, Minas já projeta o "Pimentécio", com o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) para o governo e o tucano Aécio Neves para o Planalto.

Há ainda o "Pimentardo", com o tucano Pimenta da Veiga para o governo e Eduardo Campos para presidente, chapa patrocinada pelo PSB mineiro.

Em São Paulo, o presidente do PSB paulista, Márcio França (SP), é o entusiasta da aliança em torno da reeleição do governador Geraldo Alckmin. Assim, partido pediria voto para o tucano na sucessão estadual e para Campos na sucessão presidencial. A chapa híbrida informal foi batizada de "Geduardo".

Os dois partidos negociam também no Paraná, onde o onde o PSB apoiará Beto Richa (PSDB) formando a aliança "Richardo". O palanque de Richa desenha-se como um dos mais plurais. O tucano negocia para ter o PMDB na chapa. Cotado para ser vice do tucano, o presidente do partido no Estado, deputado Osmar Serraglio, propõe a chapa "Dilmicha".

Comitê. Em Goiás, a chapa inusitada já tem até comitê sendo montado. O líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, quer apoiar a reeleição de Marconi Perillo (PSDB) ao governo e de Dilma à Presidência. "Nós vamos montar aqui em Goiás o Comitê Dilmar. Nós queremos continuar na base do Marconi e também na base da presidente.", diz Jovair, que lista PR e PP como outros partidos que apoiarão a dobradinha.

Petistas também têm patrocinado as alianças informais. O senador Delcídio Amaral (PT) é candidato ao governo de Mato Grosso do Sul e negocia com o deputado Reinaldo Azambuja para ter o PSDB em seu palanque. Com isso, o palanque de Aécio no Estado estaria dentro de uma chapa comandada por um adversário no plano nacional. Para os tucanos, o voto seria "Delcécio", com Delcídio e Aécio.

No Espírito Santo, petistas que apoiam o governador Renato Casagrande (PSB) querem abrir um palanque para Dilma dentro da chapa do correligionário de Campos. A senadora Ana Rita (PT), que chegou ao cargo como suplente de Casagrande, é uma das que defendem a tese. Assim, formaria-se um "Casadilma" na dobradinha capixaba.

‘Dinotudo’. Existem casos em que os palanques tendem a ser transversais. No Maranhão, o presidente da Embratur, Flávio Dino (PC do B), tem apoio de políticos ligados aos três principais presidenciáveis, Dilma, Aécio e Campos, formando um "Dinotudo". Líder nas pesquisas, o comunista tem como certo a aliança com o PSB, terá o seu partido na chapa de Dilma e negocia ao mesmo tempo com PSDB e PT na tentativa de formar uma frente contra o grupo do senador José Sarney e da governadora Roseana, que indicará Luiz Fernando (PMDB) para a sucessão.

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