Convenção do PSDB elege nova Executiva Nacional

Com a tarefa de preparar o PSDB para a disputa eleitoral de 2002, o diretório nacional do partido elegeu hoje uma nova Executiva Nacional composta basicamente por parlamentares, ministros e governadores. "Estamos montando uma estrutura básica para buscar alianças e tornar o nosso projeto vitorioso", afirmou o deputado José Aníbal (PSDB-SP), que substituirá o senador Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL), na presidência do partido. A convenção nacional do PSDB, realizada no Clube dos Servidores do Distrito Federal, contou com a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso - escolhido presidente de honra dos tucanos - e das principais lideranças políticas. A nova estrutura partidária agregou, na condição de vogais, governadores e ministros com o objetivo de dar peso político e visibilidade ao comando tucano. Esse grupo funcionará como uma espécie de Conselho que será acionado sempre por José Anibal na adoção de decisões políticas e estratégicas. Os demais integrantes da Executiva ficarão encarregados da operação política do dia-a-dia. Para contemplar o ex-governador Eduardo Azeredo, foi criado o cargo de secretário de relações internacionais. A Secretaria Geral do PSDB continuará com o deputado Márcio Fortes (PSDB-RJ) e os novos tesoureiros serão os deputados Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ). Foi criado também uma Secretaria da Mulher, que ficará com a deputada Marisa Serrano (PSDB-MT). O senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) deixa a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITN) e assume uma das cinco vice-presidências do partido. A deputada Ieda Crusius (PSDB-RS) vai substituí-lo no ITN.Apesar do clima de festa, ministros e parlamentares passaram a maior parte da convenção fazendo declarações sobre o racionamento de energia elétrica e rebatendo as denúncias, publicadas pela revista Veja, de que houve venda de informações privilegiadas a banqueiros por parte do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. "O PSDB não tem lição a receber de ninguém, vamos responder a todas as denúncias e mostrar que elas não procedem", completou Anibal. Os dirigentes do PSDB tentavam também conter militantes e parlamentares para evitar que a convenção partidária se transformasse numa manifestação política contra a cassação dos senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF). "Não se trata de uma questão programática", descartou o governador Geraldo Alckmin, bastante festejado pela claque dos militantes.A estratégia de impedir a aprovação de uma moção em favor da cassação dos dois senadores foi montada na última quinta-feira pela Executiva Nacional do PSDB, ainda sob o comando do senador Teotônio. Por conta das pressões do PFL, os senadores temem que uma eventual posição política do PSDB possa provocar os pefelistas, levando-os a assinarem o requerimento de criação da CPI da Corrupção no Senado, contrariando a orientação do Palácio do Planalto. José Aníbal, no entanto, prometeu reunir os senadores do PSDB que integram o Conselho de Ética na próxima terça-feira para uma avaliação. O líder do PSDB na Câmara, Juthay Magalhães Júnior (BA), inimigo político de ACM, revelou que a cúpula partidária lhe pedira para não articular qualquer movimento pró-cassação durante a convenção. "Se o líder do PSDB, Sérgio Machado, garantiu a cassação, não sou eu que entrarei em confronto", disse o deputado, depois de receber a garantia de que a bancada tucana no Senado votaria unida pela cassação.

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