Convenção do PMDB pode definir rumos do partido

O resultado da convenção nacional do PMDB, marcada para o dia 14, será decisiva para a definição dos rumos do partido no governo e no cenário político. Com a provável recondução do deputado Michel Temer (SP) para o comando nacional estará aberto o caminho para a reeleição do senador José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado. Para isso, será preciso aprovar uma emenda constitucional, já em tramitação na Câmara, permitindo a reeleição dos presidentes da Câmara e Senado em uma mesma legislatura. O PMDB já está preparando uma emenda estabelecendo que a reeleição só acontecerá uma vez, independentemente ou não da legislatura ( período de quatro anos que coincide com o mandato dos deputados), a exemplo do que é permitido para o presidente da República. Resolvida a situação de Temer e Sarney, ficará pendente o destino do senador Renan Calheiros (AL), líder do partido no Senado. Esta semana, Renan ensaiou um movimento com o objetivo de lançar a candidatura de Sarney para o comando do PMDB, mas a investida foi frustrada. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que continua atuando nas articulações políticas do governo, entrou em campo para brecar a operação que provocaria, por outro lado, uma desarticulação total do PMDB na Câmara. Alertado, o deputado Michel Temer reagiu imediatamente à operação e vetou a proposta dos senadores que queriam o adiamento, por 30 dias, da convenção. A idéia dos partidários do adiamento era ganhar tempo para articularem em favor do nome de Sarney que, por sua vez, não queria a disputa. A eventual eleição de Sarney para o comando do PMDB abriria espaço para Renan Calheiros disputar a presidência do Senado em 2005. Apesar do fracasso dessa operação, o Palácio do Planalto está determinado a contemplar o líder do PMDB que fortaleceu seu cacife político pelo desempenho na condução da crise no Senado. Um dos principais articuladores da manobra para enterrar a instalação de CPIs do bingo e do caso Waldomiro Diniz no Senado, Renan ganhou pontos e, mais uma vez, assumiu uma postura mais governista do que o próprio líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP). A situação de Mercadante no governo continua uma incógnita, já que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estaria satisfeito com a condução da liderança no Senado, sobretudo durante a crise aberta com o escândalo envolvendo o ex-assessor Waldomiro Diniz.

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