Wilton Junior|Estadão
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PMDB do Rio exalta secretário que agrediu ex-mulher

Lideres do partido como o ex-governador Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Eduardo Paes defendem em convenção nome do partido cotado para se candidatar a prefeito da capital fluminense em 2016

Clarissa Thomé e Constança Rezende, O Estado de S. Paulo

23 Novembro 2015 | 11h53

Rio - A convenção estadual do PMDB para a eleição de sua diretoria regional nesta segunda-feira, 23, se transformou em ato de apoio ao pré-candidato à prefeitura do Rio pelo partido, Pedro Paulo Carvalho, que teve três boletins de ocorrência por violência doméstica registrados contra ele pela ex-mulher entre 2008 e 2010. Sem citar os episódios, as lideranças da legenda apontaram Pedro Paulo, secretário de Governo do prefeito Eduardo Paes, seu padrinho político, como o “mais preparado para o cargo”. 

Apesar de pertencerem a grupos diferentes do PMDB-RJ, as lideranças repetiram discursos de união no partido.

O governador Luiz Fernando Pezão, Paes, Pedro Paulo e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, chegaram juntos ao evento. O ex-governador Sérgio Cabral, numa das raras aparições públicas desde as manifestações contra o seu governo, em 2013, entrou minutos depois. Picciani, que tem recebido o resultado de pesquisas internas sobre a reação dos eleitores à divulgação dos casos de agressão, deu o tom dos discursos, ao falar sobre a união do partido e o apoio à candidatura de Pedro Paulo.

“A população julgará e nós veremos o resultado nas urnas. Não há plano B. Pedro Paulo é o candidato”, afirmou Picciani, reconduzido à presidência do PMDB fluminense. Questionado se votaria em vizinho que bate na mulher para síndico do prédio, Picciani deixou a entrevista coletiva.

Cabral referiu-se a Pedro Paulo como “o grande gestor desses sete anos de governo Paes”. Reiterou que o partido não tem um plano alternativo. “Eu não vou concorrer”, disse ele em entrevista. Nos bastidores do partido, Cabral tem sido apontado como a única possibilidade forte na sucessão do prefeito.

‘Fofocas’. Pezão classificou os casos de violência em que Pedro Paulo esteve envolvido como “fofocas” de campanha, que começam “cada vez mais cedo”. “Nossos adversários estão botando a cara mais cedo. No PMDB, a gente gosta de urna e respeita adversário, mas se quiser ir para o pau, nós vamos para o pau”, ressaltou. “Não temos medo de picaretas, de pastor de R$ 1,99”, disse, numa possível referência ao senador Marcelo Crivella (PRB), pré-candidato à prefeitura e ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

Segundo o governador, o PMDB fluminense “assusta muita gente”. “Até mesmo a direção nacional do PMDB. Não vai ter eleição nacional que não vá passar por aqui”, afirmou, considerando uma candidatura do PMDB-RJ para a Presidência em 2018. Indagado diretamente sobre os episódios de agressão, respondeu: “Isso ele (Pedro Paulo) responde”.

A ex-mulher de Pedro Paulo Alexandra Marcondes fez dois registros de agressão contra o ex-marido e um de ameaça. Em um dos casos, em 2010, laudo do Instituto Médico Legal (IML) aponta que ela ficou com hematomas e teve um dente quebrado. O secretário convocou duas vezes a imprensa para dar sua versão dos fatos – uma delas com a presença da ex-mulher, que defendeu o ex-marido na ocasião. Ontem, Pedro Paulo recusou-se a comentar o caso. “Mais uma vez o partido reafirmou a confiança na minha candidatura”, limitou-se a dizer.

Apoio. Pedro Paulo foi recebido na sede do partido com faixas de apoio e aplausos pela plateia. As primeiras fileiras eram ocupadas por mulheres. “PMDB já tem nome. É Pedro Paulo e Rafael Picciani”, gritavam. Filho de Jorge Picciani, Rafael é secretário municipal de Transportes e poderá ser o vice em caso de chapa pura do PMDB.

O presidente da Alerj também atribuiu as denúncias contra a campanha do PMDB a “adversários”. “O partido está unido. É isso que alarma nossos adversários. Temos olhado a forma de fazer política deles, alguns já derrotados pelo governador Pezão na última eleição. Vamos responder com altura, na política, e os excessos, na Justiça”, declarou Picciani.

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