Convenção de tatuagem reúne 17 mil pessoas em SP

Na contramão das tendências cada vez mais ousadas e do avanço da tecnologia, um tatuador brasileiro faz fama no Japão justamente pelas formas e técnicas já esquecidas pelos mais jovens. Shimada, de 28 anos, talvez o único tatuador do mundo sem nenhuma tatuagem no corpo, foi um dos destaques da 7.ª edição da Convenção Internacional de Tatuagem de São Paulo, realizada no fim de semana, num galpão da Barra Funda.Evento concorrido, com público de 17 mil pessoas e que contou com a participação de 500 tatuadores, 50 deles estrangeiros, a convenção atraiu admiradores da arte e profissionais de vários Estados. Homens sem camisa, mulheres com decotes e recortes nas roupas para mostrar os desenhos. Havia de tudo."Somos normais"Alguns eram atração maior que o próprio evento. A cabeleireira Danúsia, de 34 anos, e o marido, Edson Monteiro Reis, de 46, por exemplo, eram convidados por admiradores para posar para fotos. "Muita gente ainda acha que quem tatua o corpo é marginal, é revoltado. Mas não é nada disso", diz Monteiro, que tem escrito no braço: nem melhor, nem pior. Apenas diferente. "Já passei perto de mulheres que até se benzem."Danúsia mostra os joelhos tatuados com o seu nome e o do marido, duas das 48 tatuagens que tem pelo corpo, inclusive na cabeça. "Não entendo por que as pessoas ainda olham diferente. Somos normais."A contragosto, o comerciário Marco Antonio Izzo atendeu ao pedido da mulher, Margareth, e levou as filhas gêmeas Alessandra e Patrícia, de 21 anos, para fazer a tatuagem. "É melhor fazerem agora, do que passar a vida frustadas", diz.TeboriEnquanto a maioria opta pela agilidade da máquina de tatuar, o tatuador Shimada retrocedeu no tempo e resgatou dos antepassados a técnica do tebori. "É uma arte muito antiga, feita de maneira artesanal, desde o preparo das tintas, das agulhas, até o método de inserir a tinta na pele", explica.As máquinas utilizam corrente elétrica para funcionar. Já o tebori é feito com hastes de bambu, madeira ou marfim. São usadas duas, três ou cinco agulhas para fazer as linhas mais finas do contorno. Para as mais grossas, são usadas até 12 agulhas.O tebori era usado no Japão para marcar o corpo de criminosos, como punição, depois virou motivo de orgulho para guerreiros e até identificação de mafiosos da Yakuza. Para Shimada, é uma arte tão significativa quanto pintar um quadro. "Uma tatuagem pode levar horas para ser feita. Mas o que é melhor, você ter um desenho pintado à mão ou uma cópia colorida?"

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