Controle de venda de remédio só existe no papel

O Brasil continua longe de manter um controle adequado sobre a venda de medicamentos. Na semana passada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a probição da venda de uma série de remédios, como o popular Merthiolate, que está sendo recolhido. Mas o consumidor pode continuar levando para casa antibióticos, antiinflamatórios, descongestionantes nasais e muitos outros remédios de tarja vermelha, que só deveriam ser vendidos com receita médica. O rigor aqui está só no papel, diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos ou na Inglaterra, por exemplo. Quem já viveu lá fora sabe ser muito difícil comprar remédio sem receita. "Por qualquer dorzinha, eu tinha de ir primeiro ao médico e só depois à farmácia", conta a professora de inglês Mariângela Del Negro, de 38 anos, que morou oito anos nos EUA. O único remédio que ela conseguia comprar livremente era aspirina. Se fosse no Brasil, teria muitas opções, de dipirona a amoxicilina. Mesmo com a receita, Mariângela conta que as farmácias norte-americanas só vendem a quantidade de comprimidos estipulada pelo médico. "Uma vez fui parar no pronto-socorro com muita dor abdominal e o médico receitou-me sete comprimidos de aspirina 3, um tipo mais forte do remédio de venda livre", lembra. "Só pude comprar os sete comprimidos, nem um a mais." Para driblar tamanha rigidez, Mariângela aproveitava as visitas que fazia ao Brasil para levar um verdadeiro arsenal de remédios daqui, inclusive aqueles que deveriam ser vendidos só sob prescrição médica. A geógrafa Marli Mendes, de 31 anos, também teve dificuldade para comprar um antigripal na Inglaterra, onde morou por um ano. Perto do Natal de 1999, seu noivo ficou gripado. Com os postos de saúde em recesso, tudo o que Marli conseguiu comprar foi um xarope, único remédio para gripe de venda livre. "Mas a gripe era muito forte e o xarope não era suficiente." Para se prevenir, Marli também apelou para a liberalidade brasileira: pediu a parentes que enviassem um suprimento de remédios pelo correio.Leia Mais

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.