Controlador militar promete feriado tranqüilo

Depois de terem paralisado todo o tráfego aéreo do País, os controladores de vôo militares se comprometeram na segunda-feira, 2, a não realizar nenhuma greve durante o feriado da Páscoa. Mas mesmo o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro José Carlos Pereira, foi cauteloso ao prever a movimentação no feriado.Ele lembrou que, em outras ocasiões, andou garantindo uma série de coisas e acabou ?queimando as mãos? e agora ?é melhor não garantir coisa nenhuma?. Para complicar mais a situação, os 154 controladores civis ligados à Aeronáutica em todo o País anunciaram na segunda-feira que vão trabalhar ?em estado de greve?, por 15 dias. Por via das dúvidas, as empresas aéreas já preparam um esquema especial para esta semana.Uma nota oficial da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo foi divulgada para minimizar as declarações do advogado da entidade, Normando Cavalcanti, que dissera no fim de semana que novo motim não estava descartado, se o governo não cumprisse o prometido. ?Reafirmamos a nossa confiança no governo federal. Informamos a sociedade que este acordo renovou os ânimos dos controladores, que farão o possível para, dentro de suas competências, voltar à normalidade?, diz o texto.Mas o presidente da entidade, Wellington Rodrigues, alerta no mesmo documento que ?todo esforço concentrado não supre as deficiências estruturais?. O que ocorrerá nos próximos dias também dependerá da postura do governo na reunião desta terça-feira, 3, entre o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e líderes dos controladores. Caso não se pense na equiparação de todos os operadores (civis e militares), outros 500 profissionais ligados à Infraero - que cuidam das torres e do controle de grandes aeroportos, como Cumbica (SP)e Galeão (RJ) - podem cruzar os braços.?No entanto, a minha avaliação do contexto me mostra que, de todos os últimos feriados prolongados, o da Semana Santa deverá ser o mais tranqüilo?, afirmou o presidente da Infraero. Na segunda-feira, o Alto Comando da Aeronáutica assegurou que o sistema é confiável, em almoço com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), e o líder da minoria, Júlio Redecker (PSDB-RS). Participaram do encontro cinco tenentes-brigadeiros, entre eles o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.Mesmo que o governo garanta melhoria do quadro, algumas empresas já se prepararam para evitar transtornos. A TAM colocará três aviões de reserva nos principais aeroportos, a partir de quinta-feira, 5. No mesmo período, terá plantão com 580 profissionais, além da equipe regular. A BRA assegurou que colocará todos os funcionários para trabalhar no feriado. A Gol e a Ocean Air não apresentaram planos especiais.AssembléiaOs controladores civis, ligados à FAB há décadas, decidiram na segunda-feira, 2, em assembléia no Rio decretar estado de greve. Na prática, é uma ameaça de greve. ?Estamos confiantes de que o governo vai cumprir o acordo assinado pelo ministro Paulo Bernardo. Estado de greve não quer dizer greve. Não haverá paralisação. Mas estaremos mobilizados e atentos?, disse o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Vôo, Jorge Botelho. Segundo ele, a atitude dos militares ?foi um desabafo?. ?A coisa estourou e o governo sabia. Esse caos está instalado porque o governo não se manifestou.?A reunião, tensa, durou duas horas. ?Aquele mesmo cara que disse: ?Não prendam? agora chama os controladores de irresponsáveis. Se não fizermos barulho, eles não vão fazer nada. Vão empurrar com a barriga?, disse um sindicalista durante a reunião, referindo-se ao governo Lula.Mais cedo, o sindicato divulgara nota em que pede ?perdão? pelos problemas, mas afirma que ?não foi possível visualizar nenhum outro modo de sensibilizar o governo para a necessária desmilitarização do setor?.Segundo o sindicato, a ?retórica largamente difundida pelo Comando da Aeronáutica sobre a quebra de hierarquia não procede?. ?A hierarquia só se aplica aos denominados subalternos e civis do sistema? Vale citar como exemplo que, para atender a coletividade, ou seja, o interesse maior, o então presidente (dos EUA, John) Kennedy desautorizou os militares e evitou uma guerra nuclear.?A nota informa que há mais de 25 anos os civis do sistema de controle denunciam ?às autoridades constituídas e à imprensa em geral a inércia administrativa do Comando da Aeronáutica no serviço de controle de tráfego aéreo?.O texto ainda critica Lula. ?Reputamos como infeliz a declaração do exmo. presidente da República de que houve irresponsabilidade e falta de sensibilidade dos controladores aéreos na atual crise. O fato é que a falta de atitude dos governos anteriores para enfrentar os desmandos no Comando da Aeronáutica foi o que gerou o sofrimento porque passam os usuários do transporte aéreo.?(Colaboraram Bruno Tavares e Camilla Rigi)

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