Contribuinte de Hillary é preso em São Paulo

A Polícia Federal prendeu hoje (03) em São Paulo o norte-americano Peter Franklin Paul, acusado de comandar um esquema de fraude com ações no mercado financeiro dos Estados Unidos que teria provocado perda estimada em US$ 25 milhões para investidores e instituições.Os agentes federais localizaram Paul em um hotel de luxo nos Jardins, às 10h30. Ele estava acompanhado da mulher e de dois filhos pequenos e não resistiu à prisão. A operação foi comandada pelo delegado Sérgio Trivelin. "Ele não é santo, já tem bastante problema para resolver", disse o policial.A prisão preventiva para extradição de Paul foi decretada no dia 19 pelo ministro Ilmar Galvão, do Supremo Tribunal Federal, que acolheu solicitação da Justiça norte-americana. Paul chegou em dezembro a São Paulo, onde afirma ser proprietário - desde 1996 - de duas empresas para cursos de inglês pela Internet.Com 52 anos, ele saiu de seu país com o nome falso de Salomon Posnack. Segundo a PF, ele também se identifica como Eric Becker.Paul foi levado para a Divisão de Polícia Marítima da PF. Conversou com os jornalistas em inglês e em espanhol. Disse que "foi o maior doador de campanha eleitoral" de Hillary Clinton no ano passado. O prisioneiro afirmou ter arrecadado US$ 2 milhões."Em agosto, coordenei um megaevento em Hollywood e os recursos foram repassados para Hillary", contou. "Contribuí fortemente para eleger Hillary e ela não declarou esse dinheiro." Diz conhecer o casal Clinton desde 1992. Pela Internet exibe fotos ao lado do ex-presidente e da mulher. Em um álbum pessoal guarda 55 fotos com os Clinton. Freqüentou a Casa Branca. Sorriu quando lhe perguntaram se conheceu Monica Lewinsky.Em 1978 foi preso em Miami com dois quilos de cocaína e condenado a três anos de prisão. Mais à vontade, sentado em um sofá preto da PF, Paul começou a falar de suas andanças pelo Panamá, Peru ("sou advogado do procurador-geral do Peru") e Cuba ("fui processado por conspiração").Os federais o consideram "um legítimo 171" - artigo do Código Penal que define a figura do estelionatário. "Sou ligado à Ordem Parlamentar do Brasil." Sorriu novamente quando lhe perguntaram se conhece o senador Jader Barbalho. Sobre as acusações de operações fraudulentas no mercado, disse ser "vítima de conspiração de uma facção do governo americano".

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