Fábio Motta|Estadão
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Contrato do Cenpes recebeu 50 aditivos

Força-tarefa da Lava Jato diz que acordos adicionais para ampliação do centro de pesquisa da Petrobrás no Rio foram repartidos entre empresas que formavam o consórcio

Antonio Pita Vinicius Neder / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2016 | 05h00

Criado na década de 1970, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), localizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é responsável pela criação de tecnologias para a Petrobrás, além de projetar e fiscalizar obras realizadas na estatal. A ampliação, iniciada em 2007, visava preparar o centro para as demandas da exploração do pré-sal. As obras, alvo da 31.ª fase da Operação Lava Jato, foram orçadas em cerca de R$ 840 milhões, mas custaram mais de R$ 2,5 bilhões após mais de 50 aditivos contratuais pedidos pelas empreiteiras.

De acordo com as investigações, diferentes contratos da ampliação do Cenpes foram repartidos entre as empresas investigadas por formação de cartel, como OAS, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e UTC. O projeto era tocado pela Diretoria de Serviços da companhia, comandada pelo ex-diretor Renato Duque. A Polícia Federal investiga também contratos de R$ 5 milhões com empresas da filha do ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa para fornecimento de móveis.

Na inauguração da ampliação, em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou o Cenpes como o “maior centro de pesquisas do hemisfério Sul”. O ex-presidente também destacou a Petrobrás como a “segunda maior empresa de petróleo do mundo” em função de seu valor de mercado à época, estimado por Lula em US$ 220 bilhões. Na sexta-feira passada, a companhia registrou valor de mercado de US$ 44 bilhões.

O projeto de ampliação do Cenpes também atraiu a instalação de centros de pesquisa de outras petroleiras e fornecedores da cadeia de petróleo e gás no Parque Tecnológico da UFRJ. Inaugurado em 2003, o parque tecnológico reúne hoje centros de pesquisa de 13 grandes empresas, oito pequenas e médias, além de sete laboratórios da própria UFRJ.

A presença das empresas é reflexo da exigência da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para a destinação de 1% da receita bruta dos campos concedidos para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Desde 2003, o volume total investido em pesquisa e desenvolvimento cresceu cerca de R$ 11 bilhões – sendo a maior parte da própria Petrobrás, responsável por 94% dos investimentos.

Sindicância. Em nota, a Petrobrás disse que realiza investigação interna para “averiguar possíveis irregularidades sobre os contratos das obras de ampliação do Cenpes”, e que os relatórios finais serão enviados às autoridades. A estatal também afirma que já concluiu apurações e adotou “medidas disciplinares” contra o conteúdo das acusações. “A empresa está colaborando sistematicamente com as investigações e adotando as medidas necessárias para a reparação dos prejuízos que sofreu em decorrência da atuação criminosa desse cartel.”

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