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Contratar a própria empresa não era proibido, diz Moreira

Deputado, que ficou conhecido como o dono do castelo, presta depoimento sobre uso da verba indenizatória

26 de maio de 2009 | 15h05

O deputado Edmar Moreira (Sem partido-MG), voltou a prestar depoimento ao Conselho de Ética nesta terça-feira, 26, sobre a acusação de mau uso da verba indenizatória. Em sua defesa, Moreira,  famoso por possuir um castelo de R$ 25 milhões não declarado à Receita, disse que a contratação de serviços de segurança de uma empresa de sua propriedade era permitido e que, somente depois da divulgação do seu caso, a Câmara editou um ato proibindo isso. As informações são da Agência Câmara.

 

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Segundo a denúncia, Moreira  teria utilizado R$ 245,6 mil de sua verba indenizatória em serviços de segurança particular, justamente seu ramo de atuação. O dinheiro é destinado a gastos com o mandato no Estado do parlamentar. A verba indenizatória é de R$ 15 mil mensais e, normalmente, os deputados pedem ressarcimento de gastos com combustíveis, consultoria, impressos e aluguel de escritório. Em 2008, o parlamentar utilizou com serviço de segurança R$ 140 mil.

 

O deputado não respondeu à grande maioria das perguntas feitas até agora pelo relator Nazareno Fonteles (PT-PI), em depoimento iniciado às 14h30 desta terça-feira no Conselho de Ética da Câmara. Com o argumento de que as questões levantadas não são objeto da representação (denúncia), Edmar recusou-se a informar os motivos pelos quais vendeu duas empresas de segurança de sua propriedade, em 2006. Também não quis informar detalhes da empresa Ronda, até hoje de propriedade do deputado.

 

Edmar Moreira não respondeu como o Banco Alfa, cliente da Ronda até o início do ano passado, fazia os pagamentos à empresa, que tinha as contas bloqueadas pela Justiça. Também não quis detalhar o fato de suas empresas terem financiado sua própria campanha para deputado federal em 2006 e a de seu filho Leonardo a deputado estadual. "Não responderei, uma vez que Vossa Excelência está extrapolando o objeto da representação e minha vida pessoal não diz respeito a essa investigação", repete Edmar a cada indagação.

 

O relator sustentou que todas as perguntas se justificam, embora o deputado Edmar Moreira tenha o direito de não respondê-las. "O senhor pode não responder, mas desqualificar minhas perguntas eu não aceito. Nada é fora de propósito", afirmou Fonteles. "O senhor está me dando nota antes de corrigir a prova", respondeu Edmar.

 

Moreira disse também que foi o DEM que o desfiliou e não ele que pediu a desfiliação do partido pelo qual foi eleito. Edmar foi desfiliado do DEM pouco depois de se candidatar à revelia do partido e ser eleito segundo vice-presidente e corregedor da Câmara, em fevereiro.

 

(Com Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo)

 

Texto atualizado às 16h10

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