Contrariando MST, fazendeiros garantem ser produtivos

Deputado Carlos Heinze, produtor de arroz, afirma que classe não expande produção por falta de mercado

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

04 de setembro de 2009 | 18h05

Produtor de arroz irrigado no município gaúcho de São Borja, o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS) garante que a grande maioria dos rizicultores do Rio Grande do Sul cumpre, com folga, os índices mínimos de produtividade que impedem que suas fazendas sejam desapropriadas para fins de reforma agrária. "O problema não é a produtividade, mas sim a questão econômica. Quando não há mercado, por que aumentar a produção?", questionou. "O jornal só imprime o número de exemplares que vende. Para o produtor, não é viável produzir mais sem ter compradores", completou.

 

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O deputado comentou a proposta do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) de revisar para cima os índices de produtividade da terra para fins de reforma agrária. Não há detalhamento da proposta para cada município agrícola do País, mas no caso do arroz irrigado do Rio Grande do Sul, a proposta é de elevar dos atuais 3.400 quilos por hectare para 5.612 quilos por hectare o rendimento mínimo das lavouras do município de Uruguaiana, que fica a aproximadamente 210 quilômetros de distância de São Borja.

 

O MDA informa que a produtividade das lavouras de arroz irrigado de Uruguaiana foi de 8.321 quilos por hectare em 2006 e 2007, informação que consta no estudo Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ou seja, o índice, revisado, ficaria abaixo da produtividade média obtida pelos produtores de arroz do Rio Grande do Sul. "A produtividade das minhas lavouras é de 8.500 quilos por hectare", disse Heinze. Além do arroz irrigado, três produtos são considerados na proposta do MDA: soja (MT), cana-de-açúcar (SP) e milho (MT).

 

O deputado lembra, no entanto, que eventualmente alguns produtores podem não chegar ao piso defendido pelo MDA. Falta de crédito e clima adverso são fatores que podem derrubar o rendimento das lavouras, argumenta. "O governo vai tirar da terra um produtor que produz pouco para colocar outro que não produz nada", comentou. Heinze lembrou que não só o PMDB, partido do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, se posicionou contra a revisão dos índices. "Os partidos da base do governo fizeram um pacto contra a mudança", completou.

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