Contrariado com mudança na economia, PT tenta agora emplacar agenda própria

Contrariado com mudança na economia, PT tenta agora emplacar agenda própria

Direção do partido considera ‘coisa feita’ nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda, mas quer atenção a bandeiras caras à base no segundo mandato de Dilma, como marco regulatório na comunicação

Ricardo Galhardo, enviado especial de O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2014 | 14h17

Atualizado às 22h14





Fortaleza - Reunido nesta sexta-feira, 28, em Fortaleza para fazer um balanço das eleições e debater os rumos do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, o diretório nacional do PT considerou “coisa feita” as nomeações de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e Kátia Abreu para a Agricultura. 

Embora contrariadas, as principais correntes do partido não devem tornar públicas críticas às escolhas da presidente. Em troca, o partido vai pedir mais empenho do governo em questões caras à base petista, como o marco regulatório dos meios de comunicação, a revisão do fator previdenciário, reforma fiscal, questões trabalhistas e indígena. O PT também deve cobrar espaço mais qualificado no ministério.

A legenda já dá como certo que terá um número menor de ministérios no segundo mandato de Dilma. Conforme um importante dirigente petista, isso deve ser compensado com a indicação de “líderes capazes de fazer a disputa política nas suas áreas”. Ou seja, o PT quer um ministério mais político e menos burocrático e hermético do que o do primeiro mandato. 

Na segunda-feira, a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil fez uma reunião preparatória em São Paulo para elaborar o discurso. Embora nomes como Levy e Kátia Abreu não agradem setores do PT, eles dizem que “o que vai prevalecer” é o programa de governo do partido. Para driblar as críticas, os dirigentes petistas fazem uma comparação com o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Henrique Meirelles - na época um banqueiro filiado ao PSDB - foi escolhido para o Banco Central, o “petista conservador” Antonio Palocci para a Fazenda e Roberto Rodrigues, representante do agronegócio, para a Agricultura.

“A área econômica não está à disposição para disputa partidária”, admitiu um dos vice-presidentes do partido, Alberto Cantalice. Segundo ele, o importante é que ministérios ligados diretamente às causas petistas fiquem com nomes vinculados à esquerda. O PT vai lutar para manter seus espaços no governo e emplacar nomes como o do deputado estadual Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, nos Esportes e o governador da Bahia, Jaques Wagner, em alguma pasta política.

Pauta. Além, disso o partido quer impor uma pauta ao segundo governo de Dilma. Um dos itens principais é a criação de um marco regulatório para os meios de comunicação, reivindicação antiga do PT engavetada por Dilma no primeiro mandato. A presidente já disse que vai abrir o debate sobre o tema no segundo semestre do ano que vem e descartou qualquer medida de controle de conteúdo. O objetivo, segundo ela, será restringir “monopólios e oligopólios”.

Ontem, o presidente do PT, Rui Falcão, afirmou que a regulação da mídia está na agenda do segundo mandato de Dilma. “A presidenta já fez menção sobre a regulação da mídia e deve lançar uma consulta pública sobre essa questão em 2015.”

O partido quer ainda que o governo crie uma fórmula alternativa ao fator previdenciário, reivindicação histórica dos sindicatos ligados ao PT, uma reforma fiscal que desonere a nova classe C, que ascendeu durante os governo Lula, e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. “O ajuste das contas do governo será bom desde que não mexa nas obras do PAC, mantenha os programas sociais e a valorização do emprego”, disse o deputado José Guimarães, outro vice-presidente do PT.

Outra cobrança será quanto à celeridade do projeto de reforma política. Para alguns dirigentes, a presidente já deveria ter dado algum sinal nesse sentido. 

Apesar do clima de apreensão em relação ao segundo mandato, a cúpula petista trabalha para abafar críticas e criar um ambiente positivo . Onze grupos enviaram textos de contribuição ao debate. A cúpula do partido começou a trabalhar ontem em um novo texto (mais informações abaixo) que tem como base a resolução política aprovada pela executiva nacional no dia 3 de novembro - na qual o PT cobra maior protagonismo no segundo mandato de Dilma. / COLABOROU CARMEN POMPEU

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