Contra trabalhadores, PMDB tenta assumir fundo de pensão de Furnas

Funcionários e aposentados marcam greve e protestos contra mudanças no comando da fundação

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

26 de fevereiro de 2009 | 00h00

A pressão do PMDB para trocar o comando da Fundação Real Grandeza, que gere um patrimônio de R$ 6,3 bilhões - em abril de 2008, eram R$ 7,2 bilhões - em recursos previdenciários dos trabalhadores e aposentados de Furnas Centrais Elétricas, pode provocar uma greve de grandes proporções na maior geradora de energia do país. Unidos aos aposentados, os funcionários da empresa, reunidos em 20 bases sindicais, são contrários à mudança no fundo de pensão, que deve ser proposta hoje em reunião extraordinária do conselho administrativo.Estão programadas paralisações a partir das 7h30 de hoje no Rio, em Minas e São Paulo, além de uma grande manifestação de funcionários e aposentados. Apesar de o PMDB negar a pressão por mudanças, o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, distribuiu carta aos funcionários na última sexta-feira revelando a intenção de mudar a diretoria do fundo de pensão, sob alegação de que havia sido uma "orientação do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão". Ontem, segundo fontes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria chamado Lobão para "entender melhor a situação". A informação não foi confirmada oficialmente pelo Planalto.A proposta de substituir a diretoria da fundação deverá ser apresentada pelo presidente do conselho, Victor Albano. Na semana passada, durante protesto de funcionários, ele negou que levaria esta discussão adiante. Dois dias depois, mudou de ideia e convocou uma reunião informal só com os conselheiros indicados ao cargo (há outros três, eleitos pelos funcionários e aposentados) para anunciar que levaria o tema a votação.SAÍDASO anúncio levou à renúncia do conselheiro Ronaldo Neder, substituído pelo atual chefe de gabinete de Nadalutti em Furnas, Luiz Roberto Bezerra. O suplente de Albano, Marcos Vinicius Vaz, também deixou o cargo, elevando para seis o número de renúncias desde o final de 2007, quando a proposta de substituição do comando da fundação começou a ser cogitada. Naquela ocasião, a proposta foi rejeitada pelo conselho, mas voltou à tona este ano e ganhou os holofotes por vir em seguida às declarações do senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) de que "boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção". Em carta aos funcionários e conselheiros, a Associação dos Aposentados de Furnas convocou o protesto contra "atos inescrupulosos que ameaçam o patrimônio da fundação em nome de interesses políticos para a campanha eleitoral de 2010". "Será a primeira greve ideológica no País. Sem luta por melhores salários, mas contra a ingerência política em recursos do trabalhador", disse Horácio de Oliveira, funcionário aposentado e membro eleito do conselho.MANDATOPara os manifestantes, o presidente da fundação, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, e o diretor financeiro, Ricardo Gurgel Nogueira, deveriam concluir o mandato, até outubro. Escolhidos em 2005, assumiram em condições desfavoráveis, após a fundação ter perdido R$ 153 milhões com aplicações no falido Banco Santos e apenas R$ 2 milhões de superávit atuarial.De lá pá cá, a fundação acumulou rentabilidade de 81% sobre o patrimônio, ante exigência atuarial de 40%, e o superávit atingiu R$ 1,2 bilhão, o que levou Fontes a ser escolhido dirigente de fundo de pensão do ano pela Associação Brasileira de Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) em 2008.

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