Contra superstição, Collor aceita gabinete no 13° andar

Além de ser o único presidente da República que sofreu impeachment no País, acusado de envolvimento em corrupção, o ex-presidente Fernando Collor inova igualmente na sua chegada ao Senado, pelo PRTB, por ser o primeiro parlamentar disposto a ocupar um gabinete no 13º andar do Anexo I da Casa. A decisão surpreende por se tratar de uma instituição em que a superstição é alimentada por boa parte de seus ocupantes. Há alguns anos, por exemplo, senador nenhum queria em seu gabinete uma bucólica paisagem, com moldura em estilo barroco, trazida do extinto Palácio Monroe, depois que dois colegas que conviveram de perto com a pintura tiveram morte trágica. Não adianta perguntar pelo quadro, que ninguém dá notícias dele.Collor passa por cima dos presságios do número 13 - que também é o número do PT - ao trocar o gabinete inicialmente acertado, na Ala Filinto Muller, com saída pelos fundos do Senado, por um espaço maior. A alegação é que necessita acomodar não só os 11 assessores do cargo, como os seis a que terá direito como ex-presidente. De quebra, Collor terá como vizinho seu ex-desafeto, José Sarney (PMDB-AP), instalado no 6º andar; o ex-vice-presidente Marco Maciel, no 5º andar, e presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), com gabinete no 11º andar, e mais quatro colegas. Paulo Paim (PT-RS), Roseana Sarney (PMDB-MA) e Gilvam Borges (PMDB-AP), optaram por andares mais altos - respectivamente no 22º, 19º e 18º, para não ficarem no 13º. Como "inquilino" do Anexo I, Collor terá a oportunidade de dividir o elevador com três dos 79 senadores - Sarney, Maciel e Gersón Camata (PMDB-ES), com gabinete no 4º andar - que votaram pelo seu impeachment em 29 de dezembro de 1992. No total da Casa, cresce para 18 o número de parlamentares que cassaram seu mandato. Estão entre eles Pedro Simon (PMDB-RS) e Eduardo Suplicy (PT-SP). A instalação do gabinete de Collor no 13º andar obrigou a administração do Senado a desalojar do local três subsecretarias encarregadas do expediente, das publicações oficiais e dos autógrafos e redação oficial. O fato dele ter ocupado o cargo de Presidente da República ajuda pouco na busca de gabinetes. A distinção - também dirigida a ex-governadores - fica em 6º lugar entre os critérios que abonam a acomodação de "parlamentares sem-gabinetes". Ou seja, são aqueles que não conseguiram se entender com os colegas que estão deixando a Casa. A prioridade, de acordo com o ato 24 da Comissão Diretora, beneficia os senadores portadores de necessidades especiais ou idosos. Em seguida, favorece aqueles que tiverem maior número de mandatos. São favorecidos, por último, aqueles que exerceram mandato de deputado federal e os que não se enquadram nas outras prioridades.

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