André Borges/Estadão
André Borges/Estadão

Contra Rodrigo Maia e ministros do STF, milhares fazem manifestação na Esplanada dos Ministérios

Manifestantes furam isolamento social e se aglomeram em frente ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto

André Borges, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2020 | 10h52
Atualizado 08 de maio de 2020 | 10h22

BRASÍLIA – Aos gritos de “Fora Maia!” uma carreata de manifestantes pró-Bolsonaro tomou da conta da Esplanada dos Ministérios na manhã deste domingo, 3. Dentro de milhares de carros, gritaram palavras de ordem contra o presidente da Câmara dos Deputados e o Supremo Tribunal Federal (STF). De lá, os apoiadores do governo seguiram para o gramado em frente ao Congresso Nacional, onde uma multidão se aglomerou sem máscaras de proteção.

O ato começou em frente ao Museu da República e à Catedral de Brasília. No início da tarde, os participantes seguiam para a frente do Palácio do Planalto, onde Bolsonaro falou com os apoiadores. No dia em que o Brasil deve ultrapassar 100 mil casos e mais de 7 mil mortos pela covid-19, os manifestantes furaram o isolamento social. É dia de sol e calor em Brasília. Nas calçadas, ambulantes vendem bandeiras do Brasil. Muitas pessoas também circulam a pé e de bicicleta pela área.

Um carro de som é usado pelos manifestantes, que gritam palavras de ordem e de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, que desde o início da pandemia minimiza a doença, diz que não se trata de nada grave e insiste em convencer as pessoas a irem para a rua, uma posição que seu próprio Ministério da Saúde, além de todas as autoridades e especialistas do Brasil e do mundo, rejeitam duramente. 

Em frente ao Congresso Nacional, formou-se uma aglomeração grande de pessoas em frente ao carro de som. De lá, uma das organizadoras da manifestação pró-Bolsonaro puxou uma oração e várias pessoas se ajoelharam. Grande parte dos manifestantes não usa máscara ou qualquer tipo de proteção; idosos e crianças também estão entre os participantes do ato. "Quem tem medo de viver, não nasce", afirmou Grace Teixeira, de 72 anos, presente no protesto.

Apoiador do presidente, José Martins, de 60 anos, levava um cartaz com os dizeres "o PT comeu a carne e só deixou a caveira" e um crânio. Ele disse não ter medo da covid-19. Outra participante da manifestação, a médica Adriana Silva contou ter vindo do Piauí para apoiar Bolsonaro. "Mesmo com coronavírus, estamos aqui para defender nosso presidente e o governo dos oportunistas", disse. 

Profissionais do Estadão foram agredidos enquanto cobriam a manifestação. Entre os gritos contra Maia e ministros do STF, os manifestantes também se posicionaram contra a imprensa. Em certo momento, parte deles começou a gritar "Globo Lixo" e partiu contra profissionais da imprensa. Neste momento, a alguns metros de distância, o presidente Jair Bolsonaro foi avisado por um auxiliar que os profissionais da TV Globo estavam sendo expulsos. Diante da informação, Bolsonaro não repreendeu a atitude e endossou críticas a emissora. "Pessoal da Globo, vem aqui para pegar um cara ou outro falar besteira. Essa TV realmente foi longe demais", comentou durante transmissão ao vivo nas redes sociais.

Ontem, Bolsonaro saiu do Palácio do Alvorada e visitou cidades de Goiás. Desrespeitando completamente todas as recomendações de isolamento social, o presidente causou aglomerações, abraçou pessoas e disse que as medidas de proteção são “uma irresponsabilidade”.

A Polícia Rodoviária Federal acompanha a movimentação. Brasília tem registrado, até o momento, um número baixo de casos de contaminações e mortes por covid-19, porque boa parte da população tem respeitado as medidas de isolamento impostas pelo governo do Distrito Federal. Nos últimos dias, porém, tem aumentado o número de pessoas circulando pela cidade, apesar de as estatísticas indicarem que o coronavírus ainda não chegou ao pico em nenhuma região do País. Em todos os locais, os números de casos e mortes são ascendentes. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.