Contra Renan, oposição ameaça obstruir prorrogação da CPMF

A pressão de partidos oposicionistaspara que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),desista do cargo ameaça um objetivo estratégico do Palácio doPlanalto: prorrogar a CPMF. PSDB e Democratas prometem obstruir votações caso Renaninsista em comandar as sessões de plenário. O tempo para aprovar a prorrogação da CPMF é curto e o jogopolítico, incerto. A proposta ainda não saiu da Câmara e deveser aprovada pelo Congresso até setembro. Como a correlação deforças no Senado é muito equilibrada, com a oposição dona deuma parcela importante das cadeiras, a resistência específica aRenan Calheiros pode tirar o apoio da base aliada à suaprincipal causa: livrar-se das acusações no Conselho de Ética. A obstrução começará a ser adotada após a votação de quatromedidas provisórias e um projeto de lei que modifica pontos doSupersimples (lei das micros e pequenas empresas). "Depois disso, a gente fecha o balaio e não vota maisnada", afirmou o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM). Em viagem à América Central, o presidente Luiz Inácio Lulada Silva reagiu imediatamente às notícias do Congresso eadvertiu: chamará os líderes dos partidos para uma "duraconversa". "Nenhum caso individual pode atrapalhar as votações decoisas de interesse do nosso país", disse Lula a jornalistas,em Tegucigalpa. As declarações do presidente dão, inicialmente, um alento aRenan. Ele vem cobrando solidariedade do governo e teme serabandonado. Após o recesso, Renan voltou enfraquecido com duasnovas denúncias que se transformaram em representações nestaterça-feira. A Mesa Diretora do Senado encaminhou ao Conselho de Éticamais uma representação do PSOL, pedindo investigação de ligaçãode Renan com a cervejaria Schincariol, e o DEM e o PSDBprotocolaram nova representação contra Renan, relativa a umsuposto uso de "laranjas" na compra de veículos de comunicaçãoem Alagoas. Mais cedo, o peemedebista usou a tribuna da Casa paradefender-se das denúncias. Até agora, só havia dado explicaçãoaos colegas da cadeira de presidente. Durante o discurso, deu um recado claro: "O PMDB faziaobstrução no Congresso contra o regime militar (...) Vejo comalguma incredulidade que alguns ameaçam usar a obstrução contraa democracia, contra o sagrado direito de defesa." A PEC da CPMF ainda está na Comissão de Constituição eJustiça (CCJ) da Câmara e pode ter de percorrer um longocaminho caso PSDB e DEM façam pressão nesse sentido. Há, por outro lado, uma interpretação legal que permitiriaestender para novembro o prazo para aprovação da proposta. Issoocorreria se o texto prorrogando a contribuição fosse aprovadosem alterações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.