WERTHER SANTANA/ESTADÃO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO

Contra o impeachment, movimentos fazem manifestações pelo País

Em São Paulo, interdições organizadas pelo MTST foram na Radial Leste, Régis Bittencourt, Anchieta e avenida Giovanni Gronchi; movimento diz que há atos em 8 Estados e no Distrito Federal

Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 07h38

A Frente Povo Sem Medo, composta por dezenas de movimentos sociais e sindicais contrários ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), realizou na manhã desta quinta-feira, 28, uma série de bloqueios em avenidas e rodovias de oito Estados e do Distrito Federal. O objetivo da frente é “parar o Brasil” contra o afastamento da presidente.

A maioria das manifestações aconteceu na cidade de São Paulo. Na Marginal do Tietê, um grupo de manifestantes interditou a pista local no sentido Ayrton Senna, próximo ao Sambódromo. O trânsito ficou muito congestionado durante a manhã. O grupo bloqueou todas as faixas ateando fogo em pneus e pedaços de madeira. De acordo com a Polícia Militar, o protesto foi pacífico e terminou sem incidentes.

O MTST também interditou totalmente a Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, o sentido centro da Ponte do Socorro, em Santo Amaro, a Rodovia Anchieta, no quilômetro 23, sentido capital, e a Radial Leste, perto do metrô Corinthians-Itaquera. Na Régis Bittencourt, o trânsito ficou engarrafado nos dois sentidos pois um grupo ateou fogo em pneus perto de Taboão da Serra. Na Rodovia Raposo Tavares, houve também um protesto, encerrado no início da manhã. 

Em Sumaré, no interior de São Paulo, o objetivo é “sitiar” a cidade fechando todos pontos de acesso ao município. A frente também realizou bloqueios em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás.

Paraná. A rodovia do Contorno Sul, em Curitiba, no quilômetro 593, na região do bairro Sabará, foi bloqueada no início da manhã pelo MTST. O ato é parte da mobilização nacional do movimento contra o processo de impeachment da presidente Dilma e “pela manutenção dos programas sociais dos governos Lula-Dilma, principalmente o Minha Casa, Minha Vida”. Por meio de nota, o MTST informou que “o processo de impeachment constitui um golpe institucional articulado” entre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o vice-presidente Michel Temer e os “interesses internacionais norte-americanos”.

Ceará. O MTST interditou trecho da BR-116, a principal via de entrada de Fortaleza. Os manifestantes fizeram uma barricada com queima de pneus no quilômetro 8 da rodovia, que ficou interditada até as 9h, depois da formação de mais de cinco quilômetros de congestionamento. O coordenador do MTST no Ceará, Róger Medeiros, disse que o ato foi para "denunciar a ação articulada para o golpe e o ajuste fiscal anunciado num possível governo Michel Temer".

Segundo ele, "o MTST não reconhece a legitimidade e legalidade desse possível governo". O protesto contou com 80 pessoas e começou às 7h.  Ainda em Fortaleza, o Movimento dos Sem-Terra (MST) ocupou na madrugada a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Eles dizem que Dilma é vítima de "golpe".

Rio de Janeiro. Um grupo de 80 manifestantes do MTST fechou um trecho da Avenida do Contorno, na cidade de Niterói, por volta das 7h. Eles queimaram pneus e interditaram a via no sentido Niterói, na altura do estaleiro Aliança, por cerca de meia hora.  A ação provocou congestionamento na Rodovia do Contorno, que dá acesso à Ponte Rio Niterói. Os manifestantes se retiraram do local após a chegada da polícia. No mesmo horário, cerca de 100 integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) protestaram nas proximidades da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. O grupo ficou na porta da refinaria e não fechou nenhuma via.

Minas Gerais.  Em Belo Horizonte, integrantes do MTST e do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) fecham a Avenida Antônio Carlos, que liga o Centro à Região Norte da capital. "É uma manifestação contra o golpe que está em curso no país", afirma o líder do MLB, Leonardo Péricles. A Polícia Militar não divulgou estimativa sobre o número de participantes no protesto.

Os manifestantes planejam ainda a paralisação de rodovias no Vale do Jequitinhonha e no Vale do Aço, no interior de Minas. Um grupo segue em direção à rodovia MG-010, que liga a capital ao Aeroporto de Confins, na Grande Belo Horizonte. A estrada dá acesso ainda à Cidade Administrativa, sede do governo do Estado. A maior parte dos manifestantes vive em assentamentos na capital. Conforme Leonardo Péricles, cerca de 2 mil pessoas participam da marcha.

Mato Grosso. Em Cuiabá, os sem-terra decidiram como parte de suas ações ocupar prédios públicos. A ação começou pela Secretaria de Estado de Educação, na manhã desta quinta-feira. Em seguida, o grupo seguiu para o Instituto de Terra do Estado. Estão previstas mobilizações contra o impeachment até domingo, 1º de maio. 

Encontro com Dilma. As manifestações cujo mote é “Contra o Golpe e Pela Democracia” acontecem três dias depois de Dilma receber no Palácio do Planalto representantes do MTST, Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Central Única dos Trabalhadores.

No encontro, Dilma ouviu pedidos para que aproveitasse os últimos dias antes da votação do processo no Senado para fazer acenos em direção à base que a reelegeu. Um dos pedidos é a nomeação de integrantes dos movimentos para preencher vagas deixadas por partidos que abandonaram o governo para apoiar o impeachment e entregaram seus cargos no governo.

Segundo relatos, os representantes dos movimentos sugeriram que Dilma tomasse uma série de medidas que teriam como objetivo garantir a unidade das entidades na reta final da resistência ao impeachment e na oposição a um eventual governo Michel Temer. Entre elas, reajustar o valor do Bolsa Família, retirar projetos enviados ao Congresso que afetam direitos dos trabalhadores, anunciar uma série de desapropriações agrárias e retomar as contratações de empreendimentos do Minha Casa Minha Vida.

Segundo participantes da reunião, Dilma ouviu com atenção e ficou de avaliar os pleitos.

Além disso, os movimentos pediram a nomeação de integrantes de grupos que se empenharam no combate ao “golpe” para os cargos vagos na Esplanada dos Ministérios. O pedido havia sido feito, por meio de resolução política e nota, pelo Diretório Nacional do PT e pela Frente Brasil Popular, na semana passada.

Pelo Facebook,  o MTST confirmou nesta quinta que há 14 bloqueios organizados só em São Paulo. "O objetivo da mobilização é denunciar o golpe em curso no País e defender os direitos sociais, que entendemos estarem ameaçados pela Agenda de retrocessos apresentada por Michel Temer caso assuma a presidência. Não aceitaremos golpe. Nem nenhum direito a menos", diz o texto divulgado pelo MTST.

Outro protesto. Em Tremembé, na zona norte da capital, um ônibus foi incendiado na rua Ushikichi Kamiya. O incidente aconteceu às 20h30 de quarta-feira, 27, na altura do número 452. O veículo ficou atravessado na pista, e as chamas chegaram a atingir a fachada de uma loja próxima. A Polícia Militar não confirmou o motivo do protesto nem se alguém foi preso. / COLABORARAM LUCIANA AMARAL,  CONSTANÇA REZENDE, LAURIBERTO BRAGA, LEONARDO AUGUSTO E JULIO CESAR LIMA, ESPECIAIS PARA O ESTADO

 

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