Contra intervenção, Câmara do DF deve cassar três distritais

Leonardo Prudente, Eurídes Brito e Júnior Brunelli foram filmados recebendo dinheiro; mais cinco são citados

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo,

16 Fevereiro 2010 | 20h10

José Roberto Arruda é visto na janela de sua cela especial, na Superintendência da Polícia Federal

 

BRASÍLIA - Para tentar evitar a intervenção federal no governo de Brasília, a Câmara Legislativa do DF está decidida a cassar o mandato de pelo menos três dos oito deputados distritais envolvidos no escândalo do mensalão do DEM. A tendência é que o corregedor da Câmara, deputado Raimundo Ribeiro (PSDB), recomende a abertura de processo por falta de decoro parlamentar contra os três deputados - Leonardo Prudente (ex-DEM, sem partido), Eurídes Brito (PMDB) e Júnior Brunelli (PSC) - que foram filmados recebendo maços de dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais do Distrito Federal Durval Barbosa.

 

Ao mesmo tempo, os deputados distritais decidiram aprovar a abertura de processo de impeachment contra o governador licenciado José Roberto Arruda (sem partido). Preso na quinta-feira, 11, acusado de tentar subornar uma testemunha, Arruda perdeu a base de apoio na Câmara, que deverá aprovar nesta quinta-feira, 18, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o andamento de um dos três pedidos de cassação de seu mandato.

 

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especialEntenda a operação Caixa de Pandora

 

Fiel aliado de Arruda, o deputado Batista das Cooperativas (PRP), relator dos pedidos de impeachment na CCJ, já anunciou que seu parecer é pela admissibilidade da abertura do processo. A decisão de entregar a cabeça de Arruda foi tomada pelos distritais na sexta-feira, 12, também como uma tentativa de evitar a intervenção federal.

 

Governador foi preso na quinta-feira, acusado de tentar subornar uma testemunha

 

O corregedor Raimundo Ribeiro pretende apresentar seu relatório com os pedidos de cassação do mandato dos envolvidos no escândalo da Caixa de Pandora no início da próxima semana. Nesta quinta, ele vai discutir com os seus colegas de Câmara a situação de cada um dos envolvidos. "O que posso dizer é que são situações diferentes entre quem aparece nos vídeos e quem é citado. Mas não posso dizer se são situações mais graves porque aí estaria entrando no mérito", disse nesta terça-feira, 16, Ribeiro.

 

Os três

 

Os deputados Leonardo Prudente, Eurídes Brito e Brunelli foram filmados por Durval Barbosa recebendo maços de dinheiro. Prudente aparece nos vídeos guardando as notas nos bolsos do paletó e até nas meias. Eurídes joga para dentro da bolsa vários pacotes de dinheiro, enquanto Brunelli ficou conhecido como o autor da "oração da propina", em que aparece abraçado com Prudente e Durval agradecendo e rezando pela vida do ex-secretário. Os outros cinco parlamentares são citados em conversas como beneficiários do esquema pagamento de propina pelo governo do Distrito Federal.

 

José Roberto Arruda também pôde ser visto durante o dia, pela janela da sala que lhe serve como cela

 

A decisão de cassar o mandato de alguns deputados distritais envolvidos no mensalão do DEM só entrou em pauta depois da prisão de Arruda, quinta-feira passada. Até então, havia um acordo tácito entre os deputados governistas de salvar Arruda, alvo de três pedidos de impeachment, o vice-governador Paulo Octávio, também citado na operação Caixa de Pandora, e os oito distritais que aparecem no escândalo. "Agora, com a prisão do Arruda, não sinto mais clima de pizza", resumiu nesta terça-feira o deputado Chico Leite (PT).

 

Intervenção federal

 

O motivo para a mudança de clima na Câmara Legislativa é a ameaça de intervenção federal no governo de Brasília. Daí a mudança de posição da base aliada de Arruda, que era formada por 19 do total de 24 deputados distritais. "Há um receio muito forte em relação à intervenção federal aqui em Brasília. E os parlamentares sabem que, se não cortarem na própria carne, haverá essa intervenção. Além disso, a Câmara não terá moral para discutir o impeachment do Arruda se não cassar o mandato dos distritais envolvidos no escândalo", argumentou o líder do PT na Câmara, Paulo Tadeu.

 

Depois de aprovarem a abertura de impeachment contra Arruda, os deputados distritais fazem uma reunião amanhã para discutir também o futuro de Paulo Octávio. Nesse caso a base está dividida: parte é favorável a abertura de processo contra o governador em exercício simultaneamente ao de Arruda. Mas há parlamentares que querem dar uma chance a Paulo Octávio e dar governabilidade para que ele comande Brasília até o final deste ano. "Há um consenso em relação ao impeachment de Arruda, mas ainda não há uma decisão da base em relação ao Paulo Octávio", disse o líder petista.

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