Contra falta de palanque, PSDB terá comitês estaduais

Para espantar o fantasma da eleição de 2006, quando o então presidenciável tucano Geraldo Alckmin ficou sem palanques em várias áreas do País, o PSDB decidiu agora organizar comitês locais de campanha em dez Estados. Os centros serão montados onde o partido não tem candidato próprio ao governo estadual, como Rio de Janeiro, Paraíba e Amazonas. Cada Estado, além disso, terá um coordenador regional, do PSDB ou de um partido aliado.

CAROLINA FREITAS, Agência Estado

12 Julho 2010 | 21h14

A estratégia foi definida hoje, em reunião comandada pelo presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), coordenador geral da campanha de José Serra à Presidência. Vieram para o encontro, no comitê central de Serra, no centro da capital paulista, 60 líderes do partido, representando todos os Estados. A reunião durou quase três horas.

Pelo raciocínio de Guerra, o PSDB precisa de uma "campanha mínima" em cada Estado para garantir uma votação de ao menos 30% para Serra. O coordenador reconheceu falhas na campanha de Alckmin em 2006. "A gente tinha base, o que nós não tínhamos era campanha. Nós continuamos a ter base. Precisamos ter campanha", disse Guerra ao deixar a reunião. "A gente tinha muito apoio político e pouca campanha na rua. Havia uma tendência de não produzir campanha dura, real."

De acordo com Guerra, na eleição passada, em regiões onde não houve campanha, o PSDB teve em média 10% de votação. "Onde a gente tinha campanha, não tivemos menos de 30%", disse. "O fato de ter a campanha mínima é indispensável. Isso significa a mensagem, a fotografia, o material e o som do candidato." Uma das "áreas de dificuldade" apontadas por Guerra é o interior do Nordeste, no semiárido.

Para evitar o erro da eleição passada, o presidente do PSDB garantiu a articulação de palanques para Serra pelo País. "Não vai faltar campanha de Serra em canto nenhum. Vai ter campanha do Serra em todo lugar." Guerra listou motivos pelos quais acredita que esta campanha estaria "facilitada" para o PSDB: "O adversário não é Lula, há uma expectativa de vitória, o conhecimento sobre (o nome de) Serra é infinitamente maior que o de Geraldo e há uma adesão muito forte à ideia de que o Brasil tem de mudar."

No bojo da estratégia fechada hoje, a agenda de Serra esta semana vai priorizar a região Nordeste. O candidato viaja amanhã para São Luís, no Maranhão, onde participa de evento na associação comercial local, às 15 horas. Na quarta-feira, Serra volta ao Sudeste e cumpre extensa agenda no Rio até quinta. Sexta-feira o tucano vai a Pernambuco e, no sábado, à Bahia.

Sindicatos

Uma das coordenadoras de campanha de Serra, a senadora Marisa Serrano (MS) fez coro ao presidente Sérgio Guerra e condenou as críticas de centrais sindicais ao candidato tucano. O PT divulgou sábado documento elaborado por cinco centrais acusando Serra de "golpe contra o trabalhador" por chamar para si a paternidade de iniciativas como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o seguro-desemprego.

"Se Serra não tivesse feito a emenda do FAT, não teria toda essa infraestrutura sindical nem a força que o trabalhador tem hoje", disse Marisa, que também participou da reunião em São Paulo. "As centrais sindicais estão dando voz à campanha do PT. Eu gostaria que elas falassem em nome dos trabalhadores, não de um partido."

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