Contra falta de água, sem-terra bloqueiam BR em MS

Manifestantes são parte das 292 famílias assentadas pelo Incra na Fazenda São Gabriel, e, 2003

João Naves, de O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2008 | 19h47

A falta de água potável nos assentamentos do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em Corumbá, Pantanal de Mato Grosso do Sul, irritou os assentados. Nesta terça-feira, 8,  um grupo de quase 200 sem-terra ligados ao MST, bloqueou às 13h30m a BR-262, nas proximidades da ponte sobre o Rio Paraguai, impedindo até o trânsito de ciclistas. Os manifestantes são parte das 292 famílias assentadas pelo órgão na Fazenda São Gabriel, comprada em 2003, para solucionar uma série de conflitos agrários que ocorriam entre sem-terra e fazendeiros do município. Eles afirmam que estão sem água potável há 15 dias consecutivo, e somente liberarão a estrada, quando o Incra resolver o problema. Segundo o superintendente do Incra, Luís Carlos Bonelli, "os sem-terra precisam administrar suas glebas com os créditos que recebem do Governo federal". Explicou, que o assentamento possui dois poços artesianos, um produzindo 48 mil litros/dia e outro 7 mil litros/dia, ambos estão com as bombas de sucção queimadas. "Quando entregamos o imóvel para os sem-terra, tudo funcionava perfeitamente". Bonelli, explicou que é quase impossível conseguir água do subsolo em Corumbá, em condições para o consumo humano, porque normalmente o líquido sai dos poços com gosto muito forte, sem condições de beber, "é salobra. Isso acontece em todos os seis assentamentos. Aliás, em cinco, porque o Assentamento Urucum já acabou. O Incra deu os títulos definitivos para os assentados, e o local foi vendido para empresários". Para o superintendente, o mesmo destino terá o Projeto de Assentamento São Gabriel, quando for emancipado. "Os assentados do São Gabriel, não estão assumindo o papel de assentados do Incra, conforme prometeram. Eles têm que se organizarem, criar um fundo de reserva para imprevistos como este. O Incra não pode ficar consertando bomba de poço e outros problemas do gênero". Nesta terça mesmo, foi enviado um funcionário de Campo Grande, para Corumbá com o propósito de dividir entre os assentados as despesas de consertos das bombas. A conta foi feita e o rateio é de R$ 25,00 para cada uma das famílias que habitam o local.

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