Contra destituição, senadores ameaçam renúncia na CCJ

PMDB tirou os dois senadores 'rebeldes' da comissão por incentivo de Renan Calheiros

Cida Fontes e Christiane Samarco, Agencia Estado

05 de outubro de 2007 | 12h36

Num ato de solidariedade aos senadores Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) e Pedro Simon (PMDB-RS), que foram destituídos na quinta-feira, 4, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senadores de outros partidos e do próprio PMDB ameaçam paralisar a Casa com uma renúncia coletiva dos integrantes da comissão. Essa posição foi anunciada nesta sexta-feira, 5, pelo senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) e poderá ser adotada na próxima semana se o líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), não voltar atrás na decisão de substituir os dois peemedebistas.   Veja também: PMDB tira Jarbas e Simon da CCJ   Na próxima semana, o grupo suprapartidário de senadores que já propôs uma série de medidas de moralização da Casa, incluindo a adoção do voto aberto e da sessão aberta para a votação de pedidos de cassação de mandato, voltará a se reunir para discutir o assunto. "Cansei de discursos, temos que fazer alguma coisa", afirmou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).   A destituição de Jarbas e Simon foi decidida em jantar na casa de Raupp, que cumpriu uma determinação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os dois peemedebistas são contra a permanência de Renan no comando da Casa. Na sessão desta sexta do plenário, Cristovam Buarque leu requerimentos dirigidos ao líder do PMDB, também do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) que pede o recuo de Raupp e a intervenção do senador José Sarney (PMDB-AP), que também participou do jantar na casa de Raupp, em favor dos destituídos.   O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) encaminhou ofício à Mesa se solidarizando com Jarbas e Simon. Se o líder do PMDB não atender aos apelos e mantiver sua posição, os outros partidos podem também ceder vagas, pelo menos de suplente, na CCJ para os dois peemedebistas.   O senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) protestou a decisão do líder de seu partido, afirmando que isso deve gerar conseqüências na bancada que já está dividida. A crise no PMDB não é do interesse do Planalto já que sem a unidade partidária o governo fica enfraquecido nas negociações em torno da votação da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF).   Garibaldi, filiado à a legenda há 39 anos, afirmou que jamais presenciou "tamanha agressão" a dois dos mais ilustres representantes históricos do PMDB. Segundo Garibaldi, o caso exige não apenas uma manifestação pública de solidariedade aos dois senadores, mas também o lançamento de um movimento para trazer o partido "de volta a uma atitude digna e fiel ao seu passado de luta."   A vaga de Jarbas será ocupada por Almeida Lima (SE), principal defensor de Renan no Conselho de Ética. No lugar de Simon assumirá Paulo Duque (RJ), que era suplente e assumiu a vaga quando Sérgio Cabral foi eleito para o governo do Rio de Janeiro.   Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) protestou, no primeiro discurso da sessão plenária desta sexta, contra a destituição dos dois senadores da CCJ. Segundo Heráclito Fortes, "o afastamento foi um ato político e revoltante".   Ordem de Renan   Jarbas e Simon atribuíram a saída a Renan. "Passei pela ditadura sem ter sofrido violência como essa", reagiu Simon. Para Jarbas, a destituição da CCJ "só agrava a situação de podridão" na Casa. "Tudo tem limite e isso rompe todos os limites."   Renan afirmou na quinta-feira que não tem nada a ver com a decisão tomada por Raupp. "Não tem nenhuma matéria de interesse para ser votada agora. Não acredito que Simon e Jarbas me atribuam isso. Foi uma decisão da bancada."   O presidente do Senado também criticou a nota em que o presidente da CCJ, Marco Maciel (DEM-PE), diz que a decisão do líder Valdir Raupp "não está em harmonia com a tradição da Casa, caracterizada pelo respeito às opiniões dos parlamentares". Para ele, nenhum outro partido, no caso o DEM, tem direito de questionar uma decisão soberana do PMDB. "As pessoas precisam aprender a conviver com a democracia", disse ele.   Logo antes da leitura do ofício, Raupp negou que a substituição estivesse em andamento. Mas não deixou de comentar que os dois rebeldes "nunca votaram com a bancada, nem nas comissões nem no plenário".   (Com Agência Brasil)

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