Análise: Contra 'decisão política', a resposta passa a ser política

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

14 de julho de 2015 | 02h00

O Palácio do Planalto decidiu elaborar, na reunião da coordenação política de ontem, um plano para evitar que o Congresso respalde uma eventual condenação da corte. O vice-presidente Michel Temer e os ministros estão incumbidos de fazer um corpo a corpo com os parlamentares da base governista para tentar convencê-los de que tudo que foi feito na gestão Dilma Rousseff em relação às pedaladas fiscais seguiu a Lei de Responsabilidade Fiscal - como chegou a citar o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, em entrevista - e de que as operações são análogas às feitas por outras gestões.

O governo tenta dar um passo à frente em busca dos líderes partidários e de deputados e senadores da base aliada, pois sente que poderá não reverter os sinais negativos recebidos do TCU em relação ao julgamento das contas de 2014. Apesar do clima pessimista, o governo vê uma chance de reverter o cenário no Congresso, que precisa avaliar a decisão do TCU. E também deixa no tabuleiro a opção jurídica de tentar uma liminar no Supremo Tribunal Federal, como mostrou o Estado no domingo.

O problema é que há um clima de luta fratricida na Esplanada dos Ministérios que pode atrapalhar esse plano. A guerra está deflagrada entre os ministros, que nem sequer respeitam uma divisão de partidos. Em paralelo, há as incertezas no cenário e grupos políticos que tentam evitar tomar posições agora para esperar o desencadear dos fatos.

Uma das preocupações relatadas ao Planalto foi de que existiria uma pesquisa encomendada pelo PMDB sobre o impeachment. O partido nega, mas petistas se queixam, dizendo que os peemedebistas ficam com "um olho na missa e outro no padre". "De que adianta o governo fazer todo um esforço para se reerguer e o PMDB remando contra a maré?", questionou um ministro aliado de Dilma.

 

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