Contra a crise, Planalto tenta manter agenda

Temer passou o fim de semana em articulações e, em reunião informal no Alvorada, disse que ‘vai ficar até o fim’ na Presidência

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2017 | 05h00

BRASÍLIA - Com o objetivo de manter a agenda de votações no Congresso, o presidente Michel Temer passou o fim de semana em reuniões e telefonemas com aliados para tentar conter a saída de parlamentares da base que ameaçam abandonar o governo após a divulgação da delação da JBS. Neste domingo, 21, em reunião no Palácio da Alvorada com deputados, senadores e ministros, o presidente disse que “vai ficar até o fim” e “não vai ceder às pressões”.

Para assegurar a estratégia do governo, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), marcaram uma agenda extensa de votações e vão trabalhar para que a pauta das reformas, principalmente a trabalhista e a da Previdência, seja retomada.

No encontro informal no Alvorada, na noite deste domingo, 21, Temer fez um apelo para que a agenda do Legislativo não fique parada. Participaram da reunião 23 deputados, seis senadores – entre eles Maia e Eunício –, além de 17 dos 28 ministros. Ao final, os aliados saíram com discurso afinado, dizendo que o resultado foi “positivo”. “O encontro foi uma grande pajelança com muita representatividade”, disse dos presentes ao dizer que o presidente estava “muito firme”.

Mais cedo, o governo convidou líderes de partidos e aliados para um jantar no Alvorada para demonstrar apoio a Temer, mas acabou cancelado pelo risco de baixa adesão. No entanto, com a mobilização do dia, se transformou no encontro informal com alto quórum.

Com a investida de Temer sobre a base, o Planalto conseguiu, por exemplo, segurar o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, do PSB, mesmo com a decisão do partido de migrar para a oposição.

Congresso. Apesar de parte do governo defender a tentativa de manter a votação da reforma trabalhista nesta terça-feira, 23, como forma de testar a base, há quem ache a medida “arriscada”, já que até mesmo o relator da matéria no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), está indeciso. “Querem passar um clima de normalidade, mas não vejo normalidade em nada. O que há é uma sociedade estarrecida com as notícias que têm aparecido.”

Na Câmara, os deputados devem tentar votar nesta semana projeto que regulariza benefícios fiscais concedidos aos Estados, além de oito medidas provisórias (MPs) que estão próximas de perderem a validade. No Senado, a principal pauta é a votação em segundo turno da proposta que trata do fim do foro privilegiado. Segundo o líder da maioria na Câmara, deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), o governo não pode “viver de crise”. “Não vamos abrir a guarda. A pauta segue. Queremos solucionar a questão política, mas sem perder o foco das reformas.”

Investida jurídica. O Planalto reconhece o clima “desfavorável”, mesmo após ter adotado uma estratégia de desacreditar o delator Joesley Batista e contestar a gravação da conversa usada como base para o inquérito no Supremo Tribunal Federal.

Temer também ficou decepcionado, segundo interlocutores, com a iniciativa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de apresentar um pedido de impeachment ao Congresso. / COLABORARAM VERA ROSA, ISADORA PERON, ISABELA BONFIM, IGOR GADELHA E LEONENCIO NOSSA

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