'Continuo firme e forte. Tremei poluidores', diz Minc na BA

Ministro diz que quer se entender com senadora do DEM, mas Kátia Abreu se recusa a dialogar com 'alienado'

Tiago Décimo e Miguel Portela , de O Estado de S. Paulo,

05 de junho de 2009 | 16h43

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afastou novamente os boatos de que possa ser afastado da pasta, em visita nesta sexta-feira, 5, a Caravelas, no extremo sul da Bahia, durante comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente.

 

Veja também:

linkPediram meu pescoço mas ele deve ficar no lugar, diz Minc

linkApós ser repreendido por Lula, Minc baixa críticas

linkKátia Abreu diz desprezar Carlos Minc 'e os seus'

linkSenadora do DEM denuncia Minc por crime de responsabilidade

linkMinc e ruralistas trocam ofensas

 

Na companhia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Minc disse que só recebe elogios por seu trabalho e desafiou os que querem vê-lo fora da pasta. "O presidente tem dito para mim o seguinte: o desmatamento na Amazônia caiu 50%, as licenças aumentaram 60%, o Brasil está sendo aclamado lá fora pelo clima e ainda por cima você tem bom humor", afirmou, sorridente. "Continuo (no governo) firme e forte. Tremei poluidores."

 

Sobre a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), com quem o ministro teve uma desavença pública durante a semana, Minc disse que vai procurá-la para conversar. "Ela ficou um pouco nervosa porque o pessoal da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e da agricultura familiar veio para o nosso lado para fazer uma mudança que beneficie mais os pequenos, mas a gente também quer se entender com os grandes", disse.

 

"Eu me entendi com o pessoal da soja e eles pararam de desmatar a Amazônia, eu me entendi até com o governador Blairo Maggi (PR-MT), e eu vivia em guerra com ele, por que eu não posso me entender com a senadora, que é articulada e muito mais bonita do que ele?"

 

'Alienado'

 

A presidente da Confederação Nacional da Agricultura e da Pecuária, manteve, porém os ataques ao ministro. Em entrevista em Toledo, cidade no oeste do Paraná, a senadora chamou Minc de 'alienado' e disse que a CNA se recusa a dialogar com ele.

 

"A CNA não vai discutir com quem debocha e menospreza os produtores rurais, que sustentam a economia nacional. Nós estamos fazendo a nossa parte. Somos trabalhadores e pessoas de bem. Nós queremos que o ministro (Minc) nos respeite como seres humanos e não apenas como produtores rurais", frisou a senadora.

 

Ela também atacou a postura do ministro em relação aos debates com o setor. "Eu sinto muito que há ainda no Brasil um ministro 'alienado', sem consciência do que significa o setor agropecuário para o país. Na realidade, grande parte do salário que ele recebe vem do agronegócio", alfinetou Kátia Abreu.

 

A presidente da CNA disse que a entidade não está disposta a conversar com o ministro, o qual, segundo ela, continua ofendendo os produtores rurais. A senadora se referiu à participação anteontem de Minc numa audiência da Comissão de Meio Ambiente, na Câmara Federal, quando ele declarou que não se recusa a negociar com Kátia, usando o argumento que conversaria com 'até os ruralistas".

 

"Porque até com os ruralistas? Não somos criminosos e somos brasileiros. Queremos respeito. Eu acredito que o ministro está com dificuldade de eleição no Rio de Janeiro, seu estado, por falta de trabalho com a população e resolveu arrumar um palco. E nós da CNA não seremos palco para que este Senhor se eleja no Rio de Janeiro", declarou a senadora, que participou pela manhã de um evento sobre código florestal em Toledo.

Tudo o que sabemos sobre:
Carlos MincKátia AbreuGoverno

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.