Continua impasse nas universidades federais

O semestre letivo e os vestibulares das universidades federais ainda correm risco de cancelamento. Reunidos pela primeira vez desde o início da greve dos professores, em 22 de agosto, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e os representantes do movimento adiaram as negociações para a próxima semana. A proposta do governo de voltar a discutir as reivindicações de docentes, funcionários e estudantes em sete grupos de trabalho foi aceita pelos grevistas, que não concordaram, porém, em um armistício de 30 dias. "Estamos perto de um entendimento", afirmou o ministro Paulo Renato. Menos de dez minutos depois, o presidente do Sindicato Nacional dos Docentes em Ensino Superior (Andes), Roberto Leher, dizia que, "objetivamente", o ministério não tinha feito nenhuma proposta concreta. "Houve um primeiro passo nas negociações, mas os vestibulares e o semestre vão depender de uma proposta do ministério", assegurou Leher. Nos cálculos da Andes, 45 mil professores estão paralisados em 52 instituições federais de ensino superior, sendo 39 universidades. A entidade reivindica, entre outras, a incorporação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), que representa 160% do salário, abertura de oito mil vagas e Gratificação de Estímulo à Docência a todos os professores, incluindo os aposentados. A ampliação desse benefício a todos os docentes, independente da produção, não é aceita pelo ministro. Mas Paulo Renato irá discutir a questão. "O estímulo à produção deve ser mantido", disse. A principal reivindicação, reajuste salarial de 75,48%, não chegou a ser discutida. O ministério tinha avisado que o assunto era de competência da política orçamentária do governo. Amanhã, às 10 horas, os grevistas estarão novamente no órgão para fechar as reuniões da próxima semana.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.