Contaminação de silicone é atribuída a água de reservatório

A contaminação por bactéria de sete mulheres que implantaram próteses mamárias de silicone em Campinas está sendo atribuída pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) à água do reservatório público da cidade e aos moldes utilizados como teste. "Está quase afastada a suspeita de que a contaminação tenha sido provocada pelas próteses de silicone definitivas", disse o secretário-geral da SBCP, Osvaldo Saldanha. O secretário defendeu que a principal hipótese é que a água tenha contaminado o molde usado para testar o tamanho da prótese. Segundo ele, o material é reutilizado e esterilizado antes de cada novo procedimento cirúrgico. Saldanha acredita que a esterilização, com álcool de etileno, não ocorreu de maneira correta. Não descartou que o mesmo molde tenha provocado as sete infecções.Os casos de contaminação ocorreram em diferentes hospitais de Campinas, em cirurgias feitas por médicos diversos. Segundo Saldanha, é comum médicos e hospitais trocarem moldes de testes. "Um mesmo molde pode ter sido o vetor da bactéria", alegou o secretário. De acordo com ele, as sete vítimas foram contaminadas pela Mycobacterium Fortuitum, responsável por uma infecção de controle demorado. "Leva pelo menos seis meses para eliminar a bactéria do corpo", comentou. O tratamento é feito com antibióticos específicos, indicados conforme o caso.As sete mulheres tiveram que remover a prótese e, depois de concluído o tratamento, deverão passar por novos exames para checar a possibilidade de refazer a cirurgia estética. Saldanha lembrou que a denúncia de infecção ocorreu no ano passado. Em janeiro, integrantes da Comissão Permanente Sobre o Silicone da SBCP estiveram em Campinas para iniciar as investigações. O secretário afirmou que pelas informações apuradas até agora não há indício de que as próteses definitivas estivessem contaminadas. Mas ele acrescentou que o relatório conclusivo da SBCP somente deverá ser divulgado em maio. Em média, por ano, 120 mil mulheres implantam próteses de silicone no Brasil, conforme Saldanha.A presidente da Comissão Permanente Sobre o Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Wanda Elizabeth Corrêa, disse hoje que pelo menos outros sete casos de contaminação pela Mycobacterium Fortuitum ocorridos em diferentes procedimentos cirúrgicos estão sendo investigados em Campinas, além dos sete casos confirmados. Dos sete registros suspeitos, dois referem-se a cirurgias plásticas, mais uma de prótese de silicone e outra de abdome. Os outros cinco casos são de cirurgias comuns, disse Wanda. "O problema continua, embora ainda não haja nenhum novo caso confirmado", alegou. Ela atribuiu as infecções à contaminação da água do reservatório público de Campinas.

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