Contag critica ações do governo no combate à seca

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, criticou hoje o governo pela adoção de medidas, consideradas por ele "paliativas", no combate à seca. Para ele, ao invés de doar cestas básicas e distribuir água com carro-pipa, o governo deveria criar um programa de geração de renda para ajudar o agricultor nordestino a conviver com a seca.A Contag quer a criação de uma bolsa no valor do salário mínimo para toda a população atingida pela seca, mas garantindo a participação mínima de 30% de agricultoras familiares e trabalhadoras rurais entre os beneficiados. Além disso, Santos também defende a liberação de recursos para construção de cisternas, poços artesianos, barragens subterrâneas e pequenas adutoras entre outras obras de infra-estrutura.Santos afirmou que o governo Fernando Henrique Cardoso está tratando a seca como todos os outros governos fizeram, com ações paliativas sem perspectivas de futuro. A repetição dessas ações ajuda os políticos oportunistas a faturarem os "votos da fome", alertou o presidente da Contag, que hoje fez um balanço da manifestação do Grito da Terra 2001.Segundo o dirigente, a negociação com o governo e os representantes do Grito terminou com promessa de liberação de R$ 4,7 bilhões. Santos diz que volume semelhante de recursos também havia sido definido no ano passado, mas ocorreu apenas a liberação da metade do valor. Ele teme que o mesmo se repita neste ano.Por isso, a Contag promete voltar às ruas em 25 de julho para protestar contra o governo. Santos também acenou com a possibilidade de ocorrerem novas invasões de terras e a prédios públicos. Segundo ele, enquanto não houver reforma agrária suficiente para 4 milhões de famílias as invasões continuarão, "não por desejo dos trabalhadores, mas fruto da necessidade. "Só com ocupação e mobilização o governo assenta agricultores" justificou Santos, que reclama de o governo passar, a partir do próximo mês, a distribuir cestas básicas para os agricultores beneficiados pelo programa de reforma agrária apenas no início da instalação dos assentamentos.

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