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Contadora revela fraude em empresas de Estevão

Relato da contadora Gesuína Varandas Ferreira ao Ministério Público Federal permitiu a descoberta de operação comandada pelo ex-senador Luiz Estevão para fraudar a contabilidade do Grupo OK - do qual é presidente -, na época em que a CPI do Judiciário no Senado investigava o desvio de verbas das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.Gesuína, conhecida por Teresa, contou os detalhes do esquema montado às pressas por Estevão para "maquiar" os recursos que nove empresas de seu conglomerado receberam da Incal Incorporações, a empreiteira do Fórum, no valor equivalente a US$ 39,5 milhões. Segundo Gesuína, durante a CPI foram aparecendo os cheques do Grupo Monteiro de Barros - controlador da Incal - para o Grupo OK. Ela contou que estes cheques haviam sido registrados na conta contábil denominada "Empresas coligadas", sem que houvesse discriminação de sua origem. "A conta contábil era utilizada para serem descarregados valores cuja justificação não se quisesse conhecer", disse a contadora. De acordo com Jesuína, a conta "Empresas Coligadas" era um "grande guarda-chuva", ou seja, recebia lançamentos diversos sobre entrada de recursos cuja origem era desconhecida dela e dos outros contadores.Jesuína afirmou em depoimento a um grupo de procuradores da República no último dia 16 que recebeu determinação de Estevão para que "encontrasse uma maneira de justificar contabilmente o recebimento dos valores oriundos do Grupo Monteiro de Barros, para que ele pudesse dar esclarecimentos convincentes à CPI".Jesuína revelou que Estevão mandou "transformar contabilmente em recebimentos das empresas Monteiro de Barros, valores referentes aos cheques da empreiteira do Fórum". Segundo ela, a forma encontrada para "esquentar" o dinheiro do Grupo Monteiro de Barros foi substituir nos diários da empresa OK Construções e Incorporações S.A. o título da conta "empréstimos habitacionais" pela conta "contrato de mútuo/venda de imóveis".Apenas nessa empresa do grupo havia um saldo, que pudesse dar respaldo aos recursos repassados pelo Monteiro de Barros. "Na medida em que surgiam os cheques na CPI do Judiciário, os contadores trabalhavam na substituição das contas contábeis refazendo os diários", afirmou Jesuína.De posse dos livros dos anos de 1992 a 1997, relativos às empresas do Grupo OK beneficiadas pelos cheques do Monteiro de Barros, os contadores substituiam páginas e "às vezes refaziam inteiramente o livro diário, mantendo apenas o termo de abertura e o termo de encerramento do livro, que são autenticados perante à Junta Comercial", disse.Jesuína afirmou que a operação de alteração dos registros contábeis foi feita por ela em conjunto com os contadores responsáveis pelas descritas das empresas do OK, Pedro Ramos Neto, Edinaldo Aparecido de Assis e Eliana Sueli Freitas da Cunha.Após a alteração dos registros e nova impressão de páginas do diário, com as modificações já realizadas, os trechos adulterados ou o volume inteiro eram encaminhados a determinadas gráficas em Brasília e em São Paulo, para retirada da lombada anterior do livro contábil e reencadernação, mantendo-se a capa e os termos de abertura de encerramento, que já estavam devidamente autenticados.Segundo a contadora, para "a operação ficar perfeita e que ninguém pudesse detectar a alteração dos livros, eram obtidos papéis velhos e impressoras antigas". Jesuína contou ainda que a fraude referente aos livros da Ok Construções e Incorporações, Saenco e Cim foi realizada por ela, Eliana e Pedro na sala da contabilidade, no 12º andar do edifício do Conselho Federal da OAB, onde fica a sede do Grupo OK. A alteração dos dados contábeis nos livros da OK Empreendimentos Imobiliários foi feita por Edinaldo na sede desta empresa em São Paulo.Outra contadora, Cristina, cuidou das alterações nos livros da OK Benfica Companhia Nacional de Pneus, na cidade de Santo André. As alterações dos dados contábeis relativos à Itália Veículos foram feitas na própria sede da firma, localizada na Asa Norte, em Brasília, pela contadora Solange. Luiz Estevão acompanhava a operação pessoalmente, recebendo relatórios de Jesuína.Participavam, segundo ela, das reuniões o diretor financeiro do grupo, André Medrado e o procurador das empresas do ex-senador junto à Receita Federal, Fernando Mugler. As reuniões ocorriam na casa de Estevão para que Jesuína explicasse todas as alterações já promovidas. "Nesses encontros, Estevão conferia se todos os cheques levantados pela CPI já tinham sido lançados na contabilidade alterada", relata a contadora. Segundo o Ministério Público Federal, o empresário Luiz Estevão também juntou documentos falsos na ação em que é réu em tramitação na 12ª Vara Federal em São Paulo, juntamente com o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, juiz Nicolau dos Santos Neto, e os empresários Fábio Monteiro de Barros Filho e José Eduardo Teixeira Ferraz.A Procuradoria da República vai pedir a prisão preventiva de Estevão por crimes de falsificação de documento público, uso de documento falso perante o Poder Judiciário e estelionato. A contadora Jesuína Varandas Ferreira, do Grupo OK, denunciou ainda estar sofrendo ameaças de morte.

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