Conta de Maluf pode chegar a US$ 300 mi, diz jornal

Os ativos que o ex-prefeito Paulo Maluf teria mantido em uma conta na agência do Citibank na Suíça entre 1985 e 1997 podem chegar a US$ 300 milhões, cem milhões a mais do que vinha sendo anunciado pelos investigadores do caso no Brasil. A informação foi publicada hoje no jornal Le Temps, de Genebra, mas não cita de onde o valor teria sido obtido. A matéria confirma que as autoridades suíças já prepararam um dossiê sobre Maluf e que está nas mãos do procurador Jean-Louis Crochet, em Genebra. O jornal, porém, não entende por que motivo o Brasil ainda não solicitou oficialmente que os suíços iniciassem uma investigação sobre Maluf. Apesar da falta de confirmação sobre a exata quantidade de dinheiro de Maluf na Suíça, em Genebra ninguém nega que o ex-prefeito contava com um tratamento "mais que especial" por parte dos gerentes do banco e dos consultores financeiros da cidade. "Poucas pessoas têm valores tão altos como esse depositados em bancos e, obviamente isso acaba gerando um atenção especial ao cliente", explica um consultor financeiro em Genebra. Maluf faria parte do seleto grupo de pessoas que incluía os príncipes árabes que depositam seus lucros das vendas de petróleo nos bancos de Genebra, ou ainda do ex-ditador nigeriano Sani Abacha, acusado de corrupção entre seu país. Genebra, com pouco mais de 150 mil habitantes, é conhecida pela grande concentração de bancos árabes e pela verdadeira invasão de milionários do Oriente Médio que passam o verão europeu desfrutando das atrações de uma das cidades mais caras do mundo, sempre acompanhados por guarda-costas e hospedados em hotéis de mais de R$ 500 por noite. Outra característica de Genebra, não por acaso, é a quantidade de consultorias financeiras - ou gestores de fortunas, como são conhecidos - com escritórios na cidade para auxiliar a aplicação dos recursos que são guardados nos cofres do bancos locais.

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