Conta de fazendeiro acusado de trabalho escravo é bloqueada

A Justiça do Trabalho tomou uma decisão inédita no País: mandou bloquear R$ 110 mil da conta bancária de um fazendeiro acusado de trabalho escravo no sul do Pará. A contra só foi desbloqueada depois que as indenizações foram pagas aos 95 trabalhadores.A decisão partiu do juiz da Vara Itinerante do Trabalho da 8ª Região, Ricardo André Maranhão Santiago, julgando uma ação civil coletiva impetrada pelo Ministério Público do Trabalho num caso de trabalho escravo descoberto na semana passada em Sapucaia. Os fiscais do Grupo Móvel do Ministério do Trabalho, após receber denúncia, constataram as condições sub-humanas em que viviam os trabalhadores dentro da fazenda "Estrela das Alagoas", de Antonio Lima Araújo, cunhado de Tereza Collor e reincidente na acusação de trabalho escravo. "Como as negociações não estavam caminhando satisfatoriamente, nós acionamos a Vara Itinerante do Trabalho, que fez sua estréia de maneira espetacular, julgando um caso para o qual demonstrou extrema sensibilidade", disse o procurador do Ministério Público do Trabalho Lóris Pereira Júnior, que atuou no caso com o colega Marcelo Brandão.Munido de um microcomputador ligado à internet, o juiz Ricardo Santiago entrou no sistema do Banco Central, em Brasília, bloqueando a conta da empresa Lima Araújo Agropecuária. Após fazer o bloqueio, o juiz foi até a fazenda e comunicou a decisão ao advogado da empresa. Na sexta-feira, o advogado conseguiu o dinheiro para pagar as indenizações. O juiz e os procuradores do Trabalho só deixaram o local depois que o último trabalhador recebeu o que tinha direito. Quando tudo foi pago, Lóris Pereira protocolou na Vara Itinerante um pedido de desistência da ação civil contra o fazendeiro. O juiz acessou o Banco Central e fez o desbloqueio da conta do fazendeiro. Nesta segunda-feira, os 95 trabalhadores, que foram contratados para desmatar a fazenda no Pará, começam a voltar para os estados do Maranhão e Tocantins.

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