Consumo de cigarro no Brasil deve aumentar 40,2% até 2008

O consumo de cigarro no Brasil deve aumentar 40,2% até 2008. Essa é a avaliação do Atlas Mundial sobre o Tabaco, lançado hoje pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta o País como responsável pelo terceiro maior índice de aumento de consumo no mundo entre 1998 e 2008. O Brasil será superado apenas pela Costa do Marfim e Zimbábue. Segundo a OMS, 33,8% dos brasileiros fumam atualmente e cada um consome em média 858 cigarros por ano.A taxa de crescimento no consumo no Brasil contrasta com a queda da venda de cigarros nos Estados Unidos e Canadá. O mercado norte-americano, por exemplo, promete ser reduzido em 13% até 2008. Outros que devem apresentar queda no consumo são os países europeus, que devem sofrer uma redução de 8% em média até 2008.Em seu Atlas sobre o cigarro, a OMS ainda aponta o Brasil como o terceiro maior produtor de fumo no mundo e o maior exportador global do produto. O País também aparece entre os líderes mundiais na arrecadação do governo com as taxas coletadas na venda de cigarros. Segundo a OMS, o governo arrecada 4,8% de sua renda com impostos sobre o cigarro.CustosNa avaliação da OMS, se a venda de cigarros no mundo não for reduzida, os custos para a economia internacional serão de US$ 1 trilhão por ano em 2030 em tratamento médico das vítimas e na perda de mão de obra por conta de doenças relacionadas ao fumo. Somente nos Estados Unidos, 6% de todos os gastos em hospitais são destinados ao tratamento de vítimas do fumo.Para se ter uma idéia do impacto do consumo do cigarro, o número acumulado de mortes no mundo chegará a 520 milhões em 2050 se as vendas continuarem nos níveis atuais. Caso o consumo caia pela metade nos próximos 20 anos, 120 milhões de vidas poderão ser poupadas. Por hora, 560 pessoas morrem por causa do cigarro.Hoje, a diretora geral da OMS, Gro Harlem Bruntland, aproveitou o lançamento do Atlas para acusar as empresas do setor de estarem tentando minar o acordo de controle do tabaco que se negocia em Genebra nesta semana ao oferecer alternativas para o tratado. A diretora ainda pede que os governos não aceitem dinheiro de companhias ou que façam parcerias com o setor. Nos Estados Unidos, empresas deram mais de US$ 35 milhões em apenas um ano para candidatos ao Congresso. O resultado foi que, quando o poder legislativo votava uma lei para inibir o fumo nos Estados Unidos, a maioria dos deputados acabou votando contra.

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