Consultor diz ter recebido 10% de valores liberados para Usimar

O consultor de empresas Amauri Cruz Santos disse nesta quinta-feira ao Ministério Público e à Polícia Federal, em Curitiba, que recebeu o equivalente a 10% dos valores liberados pela extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) para o projeto Usimar Componentes Automotivos. Segundo ele, o responsável pelo pagamento foi o controlador da Usimar, Teodoro Hübner Filho. Eles tinham firmado um contrato de prestação de serviços em que Santos ficou responsável pela execução do projeto apresentado à Sudam e por encontrar as empresas com direito de crédito na Finam e adquirir o certificado de participação. O projeto da Usimar receberia R$ 690 milhões, mas foram liberadas apenas duas parcelas num total de R$ 44 milhões.Segundo Santos, Hübner Filho deveria ter-lhe pago com dinheiro de seu patrimônio e não tirar dos recursos que estavam sendo liberados para o projeto. "Ele imputa a responsabilidade sobre a origem do dinheiro ao senhor Teodoro", disse o procurador do Paraná, Nazareno Wolff. Hoje, os procuradores vão tomar novo depoimento do controlador da Usimar. Santos também foi responsável pela execução do projeto de outros empreendimentos da Sudam, que hoje estão sob investigação, como os projetos Dona Carolina e Xavantes, no Tocantins. Ele negou conhecer o sócio da Lunus Serviços e Participações, Jorge Murad, marido da ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney, acusado pelos promotores de ter influenciado na liberação de recursos para a Usimar. O sócio de Santos, Ulbi Arlant, disse, no entanto, que esteve várias vezes em São Luiz, onde era recepcionado pelo sub-gerente de Indústria, Comércio e Desenvolvimento do governo do Maranhão, Alexandre Falcão. Arlant foi quem escolheu o terreno onde ficaria a Usimar e a sala para o escritório da empresa."Esse sub-gerente levou-o (Arlant) até o Jorge Murad, que os atendeu como secretário (de Planejamento) por poucos minutos", disse Wolff. Para dar andamento ao projeto foi contratado o escritório da contadora Maria Auxiliadora Martins, que era credenciada na Sudam. Segundo Arlant, quando estava procurando um local para o escritório, Falcão levou Teodoro Hübner Filho e ele até o prédio onde se situam as empresas Lunus e a Pleno, de propriedade de Severino Francisco Cabral, sócio de Murada na Lunus. Eles subiram até o terceiro andar, onde havia uma sala vazia. Depois, foram apresentados a Cabral, que firmou o contrato de locação com a Usimar.

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