Consulta anti-Alca diz que 98% são contra participação do Brasil

Noventa e oito por cento das mais de 10 milhões de pessoas que votaram na consulta promovida por entidades contrárias à Área de Livre Comércio das Américas (Alca) são contra a participação do Brasil. A pesquisa quis saber também a opinião dos brasileiros sobre a utilização da base militar de Alcântara, no Maranhão, pelos Estados Unidos e o resultado foi igualmente de 98% de votos contra.O resultado da pesquisa foi divulgado pelos organizadores no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados. Entre eles, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o MST, a CUT, a UNE, o PSTU e o PCO. Ao todo, segundo os organizadores, votaram 10.149.542 pessoas, em 3.894 municípios.Durante a divulgação da pesquisa, os organizadores criticaram o papel da imprensa e condenaram a falta de espaço para a divulgação da consulta, chamada por eles de plebiscito. O candidato à presidência da República pelo PSTU, José Maria, compareceu. Apenas dois parlamentares participaram da divulgação: Luiz Greenhalgh (PT-SP) e Agnelo Queiroz (PCdoB-DF). O presidenciável do PSTU condenou a "atitude titubeante" do candidato da coligação PT-PL à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre os assuntos que envolvem os Estados Unidos. O PT recuou do apoio à consulta porque discordava da inclusão da pergunta sobre a Base de Alcântara.José Maria disse que qualquer que seja o futuro presidente, o PSTU vai cobrar atitudes, principalmente em relação a uma eventual participação do Brasil na Alca. "Amor Patriótico"O representante da CNBB, dom Franco Mafferdodi, disse que o resultado da consulta foi uma demonstração de "amor patriótico". "Um exercício de amor à nossa Pátria para que o Brasil possa ter soberania contra o imperialismo e o neocolonialismo. Dentro dessa campanha se coloca a política no lugar certo, em exercício do povo e para o bem do povo", afirmou.Para um dos coordenadores do MST, João Pedro Stédile, o mais importante foi que milhares de brasileiros tomaram conhecimento sobre a Alca "que a elite queria que desconhecessem". "Foi um exercício de pedagogia", disse. Segundo Stédile, 10 outros países da América do Sul e da América Central realizarão plebiscitos até abril do próximo ano, prazo limite para que os governos se manifestem sobre a Área de Livre Comércio das Américas.Nesta quarta-feira, os organizadores da pesquisa vão se reunir com a embaixadora dos Estados Unidos, Donna Hrinak, para entregar o resultado. Ainda hoje, os organizadores entregarão o resultado ao presidente do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), e ao primeiro-secretário da Câmara, Severino Cavalcanti (PPB-PE).

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