Consulado dos EUA no Rio retoma suas atividades

Mesmo com os bombardeios americanos ao Afeganistão e um mês após os atentados terroristas em Nova YorK e em Washington, a procura por vistos no consulado dos Estados Unidos no Rio continua. Após dois dias sem atividades - na segunda-feira foi feriado americano e na terça-feira a embaixada americana, em Brasília, ordenou o cancelamento da emissão de vistos, por causa dos ataques - a representação diplomática retomou seu trabalho.A maioria das pessoas que quer viajar a turismo parece não temer novos ataques aos Estados Unidos. "No ano que vem, vou levar minhas irmãzinhas à Disney. Este sempre foi o sonho delas. Mas é claro que, se a situação piorar, vou adiar o passeio", contou o designer Marcelo Carneiro, de 28 anos.A estudante Débora Felício, de 20 anos, viajaria nesta semana para Miami, mas, depois dos atentados do dia 11 de setembro, ela preferiu esperar até dezembro. "Não tenho medo de guerra. A vida é uma só e quero me divertir", disse Débora, que esperou por uma hora, sob sol forte, até ser atendida.A fila na representação diplomática dos EUA no Rio começou antes das 6 horas, embora o consulado só inicie o atendimento ao público às 7h30, para renovação de vistos, e às 8 horas, para dar entrada em novas permissões de ingresso no país. Entre os que esperavam na fila, havia a apreensão de que, com o conflito iniciado com os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, a emissão de vistos seja restrita às pessoas que viajarão a trabalho."Alguns amigos me disseram que o consulado está privilegiando quem vai trabalhar ou fazer tratamento médico. Torço para conseguir meu visto", disse o museólogo Lesley Karijoatmo, de 27 anos, natural do Suriname e residente no Rio. Ele quer ir a Califórnia encontrar a namorada americana. O consulado informou que a lei americana para concessão de vistos não mudou e que, por isso, não há privilégios.O operador de turismo Antônio Malta, de 46 anos, aguardava a saída de um amigo que estava dentro do consulado havia quase uma hora. "Eles estão sendo mais rígidos agora e devem estranhar quem solicita visto para turismo. Não dá para entender alguém que quer ir para o cenário de uma guerra para passear", disse Malta, que contou ainda que, na agência de viagens onde trabalha cerca de 80% dos pacotes para os Estados Unidos foram cancelados depois do dia 11.O engenheiro Sérgio Tenório, de 45 anos, foi um dos que conseguiu permissão, hoje de manhã, para entrar nos Estados Unidos. Funcionário de uma empresa multinacional, ele vai para Louisianna na semana que vem e não acha que sua estadia será arriscada. "Viajo constantemente e não posso pensar negativamente."Leia o especial

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