Construtora some com verba do Incra

O sonho da casa própria para 1.50O assentados pelo Incra no sudoeste do Pará virou um golpe de R$ 3,7 milhões contra os cofres públicos. A construtora Karane, da Paraíba, assinou um contrato com o Incra para construir 750 casas de alvenaria nos municípios de Medicilândia, Uruará e Rurópolis, embolsou o dinheiro e desapareceu do Estado. As obras mal chegaram a começar. Restaram apenas esqueletos das construções e revolta entre os agricultores. Os assentados prometem ingressar na Justiça Federal com uma ação contra o Incra, para receber de volta o dinheiro.A Procuradoria da República em Santarém (PA) abriu inquérito para apurar o caso e indiciou os responsáveis pela empresa. Uma sindicância foi aberta pela procuradoria do Incra em Belém, mas o resultado até agora não foi divulgado. A maioria dos assentados pagou à Karane pelas casas que não foram construídas - mais de 70% do dinheiro, recebido do Incra."Roubaram a gente, mas ninguém do governo federal apresenta qualquer explicação para o fato", afirma o agricultor Antonio Ferreira. A casa que ele esperava ver construída se resume hoje a uma fachada e meia dúzia de tijolos amontoados no barraco de madeira onde vive precariamente, em Medicilândia. Quem percorre os assentamentos observa que a maioria dos imóveis não passa de esqueletos de construção com paredes mal acabadas, sem portas, janelas ou telhado. Ninguém da Karane foi localizado em Belém para responder às acusações. O escritório da empresa no Pará foi fechado no ano passado.

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