Construção de submarino nuclear brasileiro pode ser antecipada

O coordenador do projeto de construção do submarino nuclear brasileiro, almirante Alan Paes Leme Arthou, do Centro Tecnológico da Marinha, afirmou nesta terça-feira em São Paulo, durante o seminário "Defesa Nacional e Política Industrial", que determinou a elaboração de novas simulações sobre o cronograma do projeto, dianteda expectativa de negociar a antecipação da construção do submarino, logo depois daposse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).Arthou informou que ainda não houve nenhum contato com a equipe de transição do PT, mas considerou "muito positiva" a postura do deputado federal José Genoino (PT), um dos nomes mais fortes para assumir a Secretaria de Segurança do novo governo.Genoino, que abriu o seminário nesta terça-feira pela manhã, defendeu o projeto de construção do submarino nuclear brasileiro. De acordo com Arthou, se for mantido o orçamento de R$ 60 milhões por ano, o submarino nuclear brasileiro poderá ser lançado pela primeira vez no mar por volta de 2020. As novas simulações, segundo ele, mostram que se o orçamento passasse para R$ 90 milhões, o submarino estaria pronto entre 2012 e 2013. Para Arthou, a fabricação do submarino nuclear é indispensável em qualquer projeto demodernização do sistema de defesa do País. "Ao longo das próximas décadas, omundo vai viver uma séria crise de energia com o fim, ou o início do fim, do petróleo; etambém a crise da água, já anunciada como um dos grandes conflitos desse século",afirmou ele."A Amazônia detém 22% das reservas de água do mundo, ainda inexploradas. E é bom lembrar que sempre que existe uma reserva inexplorada vaiexistir alguém que precisa dela querendo tomar."Além da água doce, Arthou acreditaque outras reservas que o Brasil detém estarão no centro de conflitos internacionais nospróximos anos, como urânio, do qual o Brasil detém a quinta maior reserva mundial,recursos biológicos e recursos do mar, como energia e pesca. "O País tem que estarpreparado para defender as 200 milhas marítimas, que correspondem a 50% doterritório continental", afirmou. De acordo com o almirante, o submarino nuclear é a arma marítima mais importantedos arsenais modernos. O desenvolvimento da tecnologia de propulsão nuclear,segundo ele, ainda abriria o caminho para colocar o Brasil no seleto grupo dos paísesque detém tecnologia nuclear de geração de energia, um mercado que movimentacerca de US$ 100 bilhões ao ano no mundo."A partir dos cerca de US$ 1 bilhãoinvestidos até hoje no projeto do submarino nuclear, já dominamos a tecnologia deconstrução de reatores. Um reator comercial custa hoje no mercado entre US$ 4 bilhõese US$ 5 bilhões", disse ele.

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