Considerado ''''cadáver político'''', Renan tem futuro definido hoje

Para a maioria dos que vão julgá-lo, mesmo absolvido, senador não terá condições de presidir a instituição

Rosa Costa, Ana Paula Scinocca e Cida Fontes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2012 | 00h00

Aliados e adversários do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) chegaram ao fim do dia de ontem sem a garantia de que vão absolvê-lo ou condená-lo à perda de mandato por quebra de decoro parlamentar na sessão marcada para hoje, às 11 horas. PSDB (com 13 senadores), DEM (com 17) e PSB (com 3) reuniram suas bancadas e fecharam questão pela cassação de Renan, mas até essa contabilidade foi considerada de "efeito precário", pois a sessão será fechada e o voto, secreto. A única certeza da maioria dos que vão julgá-lo era de que, mesmo que seja absolvido, Renan já terá se tornado um "cadáver político" e sem condições de dirigir o Senado e o Congresso.   Leia a íntegra do relatório que pede a cassação de Renan Calheiros "Os senadores sabem que há outros três processos já na linha contra Renan. Portanto, mesmo absolvido, ele continuará muito mais ocupado em se defender do que em presidir o Legislativo", resumiu a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Torcida política à parte, as esperanças dos que defendem abertamente a cassação do presidente do Senado se concentravam nesta frase de Renato Casagrande (PSB-ES): "Vamos ter um resultado que vai referendar a preservação da instituição." Desde as primeiras denúncias feitas em maio - mais de cem dias atrás - à sessão de hoje, Renan passou da certeza de que teria "80 dos 81 votos" dos colegas a uma insegurança cada vez maior. O apoio de que dispunha foi minguando na mesma proporção em que ele multiplicou as manobras para tentar barrar o processo contra si. A perda de mandato se dará com o voto de ao menos metade mais um dos 81 senadores - 41 deles - em favor de sua condenação. Se isso ocorrer, ele ficará inelegível pelos próximos oito anos a contar do fim de seu mandato em 2011.Renan é acusado de ter despesas pessoais com a jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha fora do casamento - bancadas com recursos do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior. É a segunda vez na história do Senado que chega ao plenário o pedido de cassação de um parlamentar por quebra de decoro. Em 2000, Luiz Estevão (PMDB-DF) foi cassado por mentir ao se defender da acusação de que teria participado do esquema de desvio de recursos das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo. Desde a derrota no Conselho de Ética na quinta-feira, por 11 votos a 4, tem crescido nos bastidores do Senado, de fontes credenciadas, a informação de que Renan pode vir a renunciar à presidência da Casa na abertura da sessão de hoje. A tática, em parte, teria como objetivo demover votos por sua cassação. Na avaliação de aliados, ao mostrar desapego ao cargo, Renan pode atrair a simpatia de senadores indecisos ou mesmo dispostos a cassá-lo.Praticamente todos os partidos chegam à votação divididos. O próprio PMDB de Renan não se dispôs a fechar posição em favor de sua absolvição e liberou ontem seus parlamentares para votar conforme sua consciência - a mesma deliberação tomada pelo também aliado PT (leia na página A6). É um cenário que reforça o prognóstico de um resultado apertado.Diante disso, o presidente do Senado passou a assediar fortemente os 13 parlamentares que chegaram à Casa como suplentes - em decorrência de morte ou nomeação do titular para cargo no Executivo. O raciocínio é de que, como obtiveram mandato sem ter recebido nenhum voto, esses senadores não estariam preocupados com o desgaste de uma decisão impopular perante o eleitor.

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