Conservador é Lula, diz Heloísa Helena

Em tom de desabafo, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) afirmou ontem que foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quem aderiu ao "conservadorismo" e que ela seria incapaz de "olhar nos olhos do povo" se achasse que, alguma vez, "fez bravata" quando era oposição ao governo Fernando Henrique. Trata-se de uma resposta às autocríticas da esquerda feitas por Lula nos últimos dias. Para a senadora, tais posturas "legitimam" ataques à esquerda, que poderá ser vista pelo eleitor como "vigarice política." Desapontada com a agenda do governo, ela também sugeriu que poderá votar contra a reforma da Previdência proposta pelo Planalto. Segundo Heloísa Helena, seus companheiros "estão possuídos pelas ´almas monetárias´ que perambulam pelo Planalto". Essas ´almas monetárias´ ? uma expressão criada pelo poeta alagoano Lêdo Ivo ? estariam, segundo a ironia da senadora, levando Lula a aderir ao "pensamento único". "Há uma reorganização permanente das periferias em benefício do capital financeiro sob o discurso do ajuste fiscal e da inclusão social, que até rimam", disse Heloísa Helena, numa referência ao documento do Ministério da Fazenda que elege o ajuste e a inclusão como prioridades nos próximos anos. "O debate que se faz hoje é o mesmo que o governo Fernando Henrique fez nos oito anos." Na quinta-feira, Lula havia dito que, do ponto de vista das reformas, "a esquerda tem comportamento muito conservador". No dia 27 de março, o presidente falou dos papéis de oposição e situação. "Quando a gente é oposição pode fazer bravata, porque você não vai ter de executar nada. Agora, quando você é governo tem de fazer, e aí não cabe bravata", disse Lula, em discurso a empresários paulistas."No dia em que entender que alguma crítica que fiz ao governo Fernando Henrique foi bravata, nunca mais terei coragem de olhar nos olhos do povo", disse a senadora alagoana. "Posso ter errado algumas vezes, mas nunca achei que estava fazendo bravata". E foi além: "Se ele (Lula) atribuiu à esquerda o conservadorismo, nós também atribuímos a ele o conservadorismo pela falta de coragem de mudar. O que ele chama de mudança, nós chamamos de status quo", afirmou ela.Leia a íntegra da matéria no site do Estado

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