Conselho quer derrubar relator que ?se lixa? para a opinião pública

Cinco conselheiros ouvidos pelo ?Estado? consideraram insustentável permanência de Moraes no posto

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

08 de maio de 2009 | 00h00

Deputados e técnicos do Conselho de Ética começaram ontem um movimento para tirar do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) a relatoria do processo contra Edmar Moreira (sem partido-MG), suspeito de usar recursos da verba indenizatória em benefício próprio. Na quarta-feira, o relator disse que Moreira não cometeu nenhuma irregularidade e abriu uma crise no conselho ao declarar que está se "lixando para a opinião pública". Ouça íntegra do discurso do relator Relator exagerou nas suas declarações? Entenda o caso de Edmar Moreira Cinco conselheiros ouvidos pelo Estado consideraram insustentável a permanência de Moraes como relator. "Me parece que o deputado extrapolou. São declarações inoportunas, sem nenhum sentido. Realmente, a relatoria fica comprometida. É muito complicado. O relator e qualquer membro do Conselho de Ética não podem se expor ou antecipar o pensamento sobre o processo", afirmou o deputado Moreira Mendes (PPS-RO).No entanto, os conselheiros reconhecem que é preciso cautela na decisão, para evitar que Edmar Moreira tente anular o processo, com o argumento de que foi perseguido. O parlamentar mineiro ficou conhecido por ser dono de um castelo de R$ 25 milhões em Minas e pela máxima de que os deputados "têm o vício da amizade" e, portanto, não deveriam julgar seus pares. Moreira teve uma passagem de apenas uma semana pela Corregedoria, no início deste ano.Na manhã de ontem, Moraes foi ao plenário e reiterou os ataques à imprensa. Disse que não será "avalista" das "mentiras" noticiadas contra Moreira. "A minha conduta política - sete mandatos - não será desmanchada por um, dois ou três jornais que não pagam impostos, por redes (de TV) que usam trabalho infantil nas telenovelas. Não têm moral para me puxar a orelha", discursou. Os conselheiros estão revoltados com o colega. Sustentam que Moraes inocentou previamente Moreira sem que a investigação no conselho tenha sequer começado. O presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), adotou uma posição de cautela em relação à saída de Moraes da relatoria. Mas anunciou que vai encaminhar um ofício do deputado pedindo que confirme ou não se deu as declarações noticiadas ontem."Não quero acreditar que as declarações atribuídas ao relator Sérgio Moraes sejam verdadeiras. Tenho certeza de que ele não faria um prejulgamento, até porque ainda não ouviu ninguém. O deputado não pode prejulgar e o conselho tem de apurar tudo", disse Araújo.SEGURANÇAMoreira pagou R$ 230,6 mil da verba indenizatória, entre 2007 e 2008, a duas empresas de sua propriedade, Itatiaia Ltda. e Ronda Ltda., que alegou ter contratado para prestar serviço de segurança particular.A comissão de sindicância responsável pela investigação preliminar apontou indícios de que os serviços não foram prestados. Em defesa de Moreira, o relator argumenta que não havia regras impeditivas da contratação de empresas do próprio parlamentar e equipara o caso ao abuso cometido por deputados com a cota de passagens aéreas. "Se o relator acha que os deputados que fizeram viagens irregularmente ou deram passagens a parentes devem ser processados, então provoque seu partido a fazer uma representação contra os parlamentares", cobrou o presidente do conselho.Araújo conversou sobre o caso com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), que também não gostou da atitude do relator. Na avaliação de Temer, as declarações de Moraes desmoralizam o Parlamento, no momento em que os deputados retomaram uma agenda de votações, depois de várias semanas de escândalos.

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