Conselho enterra 4 denúncias depois de discurso de Sarney

Depois de ocupar a tribuna para se defender de acusações de envolvimento na instituição de atos secretos, nepotismo e irregularidades na fundação que leva o seu nome, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ganhou fôlego na tentativa de se preservar no cargo. Uma representação e três das denúncias apresentadas contra ele no Conselho de Ética da Casa foram arquivadas pelo presidente do órgão, Paulo Duque (PMDB-RJ). Senadores da oposição anunciaram que vão recorrer.Duque deu justificativas técnicas ao beneficiar seu correligionário. Citando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), alegou que não poderia acatar denúncias baseadas em "recortes de jornais". Após a publicação das decisões, haverá prazo de dois dias para a apresentação de recursos.Ao discursar no plenário, Sarney voltou a se apresentar como vítima de uma "campanha". No pronunciamento, marcado por imprecisões, o peemedebista misturou duas investigações da Polícia Federal ao insinuar que gravações divulgadas pelo Estado - em que ele negocia a nomeação do namorado da neta para um cargo - poderiam ter sido montadas.O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira requereu ontem ao desembargador Dácio Vieira que se declare suspeito para tomar decisões no processo em que é parte Fernando Sarney, filho do presidente do Senado. No último dia 30, Vieira proibiu o Estado de publicar informações sobre Fernando Sarney, de quem é amigo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.