Conselho deve aprovar parecer contra Renan

Expectativa é de que se repita placar de 10 a 5, quando colegiado decidiu pelo voto aberto

Rosa Costa e Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2005 | 00h00

O parecer que pede a cassação do mandato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vai a votação hoje no Conselho de Ética e deve ser aprovado. A expectativa é de que se repita o placar de 10 a 5 registrado na semana passada, quando o colegiado decidiu pelo voto aberto para definir o destino de Renan.  Veja a cronologia do caso Renan Hoje ainda deverá ser realizada uma sessão extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para decidir se o processo será ou não admitido. Se for, na semana que vem irá a votação no plenário. A pressa de Renan se deveu à conversa que teve no fim de semana com o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele o aconselhou a acelerar o processo. Depois de exatamente três meses de tramitação da representação do PSOL, Renan não conseguiu explicar suas ligações com o lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo, que entregava à jornalista Mônica Veloso (com quem tem uma filha de três anos) dinheiro para custear suas despesas pessoais. Ontem, Renan fez mais um discurso para se defender, que não pareceu ser suficiente para mudar posições. O conselho vai votar o parecer dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES) e Marisa Serrano (PSDB-MS), que citam oito irregularidades que caracterizariam quebra de decoro. Se aprovado, ficará prejudicada a apreciação de dois votos em separado, dos senadores Almeida Lima (PMDB-SE) e Wellington Salgado (PMDB-MG). Integrante do triunvirato de relatores, Almeida Lima foi dissidente e apresentou um parecer em separado no qual considera Renan vítima de matérias infundadas da imprensa. Já Wellington, da tropa de choque do presidente do Senado, afirma que o relatório de Casagrande e Marisa é "armado e mentiroso". A intenção de aliados de Renan de recorrerem ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra o voto aberto foi definitivamente enterrada ontem. O próprio presidente do Senado avisou que não compartilhará nenhum procedimento dessa natureza. Seu alvo agora é o plenário, onde espera que a maioria dos 80 senadores, pelo voto secreto, arquive a denúncia contra ele.Além do processo que será apreciado hoje, Renan é alvo de outras duas representações. Uma delas, de iniciativa do PSOL, se refere a seu suposto lobby na Receita Federal e no INSS para favorecer a cervejaria Schincariol, após a empresa ter pago R$ 27 milhões pela fábrica de refrigerantes do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL), seu irmão. A outra, apresentada pelo DEM e pelo PSDB, pede que seja investigada a sociedade de Renan com o usineiro João Lyra na compra de um jornal diário e duas emissoras de rádio em Alagoas em nome de laranjas. TRIBUNAO presidente do Senado voltou ontem è tribuna para atacar o Grupo Abril, que edita a revista Veja. "Em cem dias de devassa profunda, nenhuma prova, nenhuma franja sequer de indício que seja. Imploro aos meus detratores que mostrem ao menos uma ínfima prova, esta é a hora", afirmou, da tribuna.Renan usou o telão do plenário para exibir uma reportagem da TV Bandeirantes de 18 de abril sobre a venda de 30% da Editora Abril para o grupo sul-africano Naspers. "Trata-se de um conglomerado de comunicação racista que sustentou o apartheid na África do Sul", acusou.Em nota, a Abril reagiu às acusações de Renan. "Representam mais uma tentativa torpe e desesperada do senador e de seus seguidores para desviar a atenção dos fatos revelados por Veja e por outros veículos da imprensa brasileira sobre a sua conduta." Segundo a Abril, "são absolutamente improcedentes e infundadas" as acusações de irregularidades sobre a parceria com o grupo Naspers. "A Abril respeita escrupulosamente o princípio da legalidade e o aplica rigorosamente a todas as suas empresas, publicações, ações e políticas", diz a nota.

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