Conselho de Ética vota 2º processo contra Renan na quarta

O petista João Pedro apresentará relatório sobre o caso em que Renan é acusado de beneficiar uma cervejaria

17 de setembro de 2007 | 13h18

O Conselho de Ética do Senado vai ouvir na quarta-feira a apresentação do relatório do segundo processo contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), no qual é acusado de tráfico de influência em favor da cervejaria Schincariol. A votação acontece no mesmo dia.   Veja também:Renan se encontrará com Lula para discutir licença Especial: veja como foi a sessão que livrou Renan da cassação Cronologia do caso  Entenda os processos contra Renan  Fórum: dê a sua opinião sobre a decisão do Senado A tendência dos senadores é de arquivar o processo, iniciado a partir de uma representação do PSOL, na qual a única peça de acusação é uma matéria da revista Veja que trata do assunto, disse nesta segunda-feira, 17,  o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO). "Nós não reunimos o conselho ainda, mas já ouvi de membros opiniões diversas sobre essa representação número dois, que revelam a impertinência dela", declarou Quintanilha a jornalistas. Na semana passada, o plenário do Senado absolveu Renan da acusação de ter contas pessoais pagas por um lobista da construtora Mendes Júnior. Apesar da insatisfação da opinião pública com a absolvição de Renan, fato que lotou e-mails de senadores com reclamações ao longo de toda a semana, o relator do processo, senador João Pedro (PT-AM), afirmou que não teme a pressão da sociedade. "Não tenho medo de declarar meu ponto de vista técnico. Se vai contrariar interesse de A ou B, faz parte do debate", declarou o petista.  Encontro com Lula Mesmo tendo sido absolvido na semana passada, o presidente do Senado ainda passa por algumas batalhas nesta semana. Na terça-feira, 18, Renan vai se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decidir seu futuro. O Planalto quer que o senador peça licença, deixando o Senado sob o comando do primeiro vice-presidente, Tião Viana (PT-AC), e assim baixar a temperatura da crise e conseguir a votação da prorrogação da CPMF.  Renan passou o fim-de-semana em Alagoas. A cidade natal do senador, Murici, preparou uma festa de aniversário, mas Renan não apareceu.   Favores Foi à base de favores que Renan conseguiu boa parte dos 46 votos para sua absolvição no processo por quebra de decoro parlamentar -  40 senadores que votaram pela não cassação e seis abstenções,  que ajudaram no resultado final . Alguns desses favores são muito pequenos, difíceis até de acreditar que ocorram no Senado - como vista grossa para o gasto a mais de algumas resmas de papel ou manifestação da solidariedade masculina na autorização para a viagem ao exterior de senadores interessados em levar consigo alguém muito especial. Na extensa lista de ajudinhas tem ainda transferência de funcionários do Estado de origem do senador para Brasília, contratação de parentes, gabinetes amplos, escolha de apartamento funcional em bom estado ou virado para o nascente, troca do velho carro oficial por um novinho e até o estouro na cota de combustível. Coisas que seriam comuns em uma Câmara de vereadores do interior são largamente usadas no plano federal e concentradas na mão de um único homem. Tudo isso somado à influência sobre ministérios, bancadas e governo. Pela natureza do cargo, o presidente do Senado é uma pessoa poderosa do ponto de vista institucional. É sempre cortejado pelo Planalto, nomeia ministros e dirigentes de estatais e é o terceiro na linha sucessória do presidente da República.  Ao presidente do Senado cabe ainda ordenar projetos que vão entrar na pauta, retardar o início de CPI, transformar sessão pública em secreta, impugnar projetos que considerar ilegais, desempatar votações e assinar correspondências do Senado ao presidente da República, governadores, tribunais superiores, assembléias legislativas e Tribunal de Contas de União.   (Com Reuters)var keywords = ""; (Com João Domingos, do Estadão) Este texto foi corrigido às 14h47. Diferentemente do que foi publicado, o presidente do Senado é o terceiro na linha sucessória do presidente da República, e não o segundo.

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