Conselho de Ética terá três relatores e seguirá investigação

Os senadores Renato Casagrande, Almeida Lima e Demóstenes Torres são cotados

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) sofreu novo golpe na noite desta terça-feira, 3, na reunião do Conselho de Ética. Os senadores decidiram aprofundar as investigações contra Renan e concluir a perícia sobre seus rendimentos de R$ 1,9 milhão em quatro anos com a suposta venda de gados. Com o continuidade do processo, Renan fica impedido de renunciar ao mandato. Na possibilidade de ser cassado, perderá os direitos políticos por oito anos a contar de 2010. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista. Na manhã desta terça-feira, o senador também sofreu uma derrota, quando a Mesa Diretora decidiu reenviar o caso ao conselho. Na reunião do órgão, um dos aliados de Renan, Wellington Salgado (PMDB-MG), apresentou requerimento convidando o presidente do Senado a depor. O convite deve ser aprovado em sessão do colegiado marcada para a tarde desta quarta-feira, quando o bloco governista, PMDB e oposição devem indicar três nomes para a relatoria. É praticamente certa a designação dos senadores Renato Casagrande (PSB-ES), Almeida Lima (PMDB-SE) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Os três, como prevê o regimento, atuarão como uma comissão de inquérito, subordinada ao próprio Conselho.A decisão de indicar uma relatoria tripla, que antes já havia sido abandonada, foi ressuscitada na reunião em que o bloco governista preparou a nota de apoio à medida da Mesa Diretora. "Essa comissão vai proceder ao trabalho que o relator tem", explicou o presidente do Conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO).Na sessão desta terça-feira ficou patente a mudança de clima em detrimento do próprio Renan. O único que defendeu o presidente do Senado foi Almeida Lima. Em longo discurso, o peemedebista pediu que o Conselho adotasse o procedimento de recomeçar do zero as investigações, invalidando as perícias feitas pela Polícia Federal (PF) e os depoimentos já colhidos. A fragilidade de Renan ficou ainda evidente com a decisão, praticamente unânime do conselho, de rejeitar o parecer do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) recomendando o arquivamento do caso.Um das principais defensoras de Renan, a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), também mudou o tom e ao invés de apoiar o parecer de Cafeteira, como vinha fazendo, pediu que o conselho atue com "celeridade e credibilidade" aprofundando a perícia da PF e as demais medidas necessárias para uma ampla investigação.Defesa de QuintanilhaAcusado de corrupção e investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Quintanilha abriu a reunião do órgão nesta terça-feira fazendo uma defesa de si mesmo. Alegando que todos que participam do conselho, principalmente os que ocupam posições mais destacadas - a presidência e a relatoria -, estão sob o "escrutínio da imprensa e da sociedade", disse não ter ficado surpreso quando surgiram, segundo ele, "as primeiras insinuações" de que ele deveria ser afastado do cargo por conta das investigações em curso.Ele negou ter cometido qualquer irregularidade e disse que as "insinuações e denúncias" têm o propósito de desmoralizá-lo e até de intimidá-lo. "Refuto as acusações que a mim vêm sendo endereçadas. Longe de se assentarem em fatos, elas se baseiam no rumor, no boato, no burburinho, na má-fé. Refuto com veemência e indignação todas elas. Refuto porque são improcedentes. Refuto porque são falsas", afirmou Quintanilha.O senador explicou sua decisão de solicitar pareceres para órgãos técnicos da Casa sobre a representação contra Renan Calheiros (PMDB-AL) e negou ter tomado atitude "meramente protelatória". "Ao reencaminhar o processo à Mesa Diretora para o saneamento das irregularidades, busquei, acima de tudo, zelar pela estrita legalidade de toda a investigação e, conseqüentemente, preservar a própria imagem do Conselho de Ética e do Senado Federal. Não se tratava de atitude meramente protelatória como supuseram alguns", disse.

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